14 junho, 2018

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Após perder Leléu para o Império Serrano, a Borboleta Encantada fecha com o intérprete campeão com a Mangueira em 2016

Demorou, mas chegou. E em alto estilo. A Acadêmicos da Rocinha contará oficialmente com a voz de Ciganerey para o carnaval 2019. Filho de porta bandeira da ex-Caprichosos (Neusinha) e sobrinho do compositor Antônio Silva, do Acadêmicos do Engenho da Rainha, veja abaixo mais sobre o excelente cantor.

Como relatado no site em 25 e 27 de março (confira AQUI as dispensas da Mangueira, cujo intérprete também foi embora junto com o mestre de bateria, e também AQUI, sobre a substituição do cantor por Marquinho Art'Samba), o Ciganerey ficou sem agremiação. A principio, poucas especulações sobre o seu futuro na mídia do carnaval. Mas o novo endereço de Paulo Roberto da Silva será na Rua Bertha Lutz número 80.

A carreira

Foto: Divulgação
Porém, em 2001, Ciganerey já tinha estrada e um currículo grande no carnaval. Seu início se deu em 1984, no Acadêmicos do Engenho da Rainha. À época, ainda era chamado de Paulinho Melodia no mundo do samba. No Grupo 1B, a agremiação conquistou a quinta colocação no extinto Grupo 1B.
Permaneceu no Engenho até 1993 e, em 1994, foi parar na Unidos do Cabuçu, do bairro do Lins, antes de retornar à agremiação que o revelou, de 1995 até 1998.
Em 1999, o intérprete foi contratado pelo Paraíso do Tuiuti e foi nesta época que o nome Ciganerey surgiu (após uma sessão de numerologia com a mãe de santo do terreiro que frequentava), que significa o rei dos ciganos. E foi em 2001 que o cantor teve maior projeção, cantando na estreia da agremiação de São Cristóvão no Grupo Especial. 
No ano de 2003, retorno ao Engenho da Rainha e um quarto lugar no Grupo C. Nos dois anos seguintes Ciganerey voltou ao Paraíso do Tuiuti, sendo também voz de apoio no carro de som da Beija-Flor.

Os Três Tenores da Mangueira

Em 2010, Ciganerey fechou o seu primeiro contrato com a Estação Primeira de Mangueira para o lugar de Rixxah no projeto mangueirense. Então compôs o carro de som com o saudosíssimo Luizito e Zé Paulo Sierra, que havia cantado nos desfiles de Caprichosos e Arranco do Engenho de Dentro no antigo Grupo de Acesso A. Naquele ano foi alcançada a sexta colocação naquele carnaval. O projeto dos Três Tenores da Mangueira continuou em 2011, quando a escola foi a terceira colocada. 

Do rebaixamento ao campeonato

O intérprete em 2013 cantaria na União de Jacarepaguá com Tiganá (atualmente na Unidos da Ponte, recém-promovida à Série A), mas não fez parte da agremiação. Fechou contrato com a Inocentes de Belford Roxo, no enredo O Triunfo da América - O canto lírico de Joaquina Lapinha. Ainda havia sido especulado o seu nome para cantar a reedição Os Sertões, na Em Cima da Hora, naquele mesmo ano, mas ficou mesmo na Cidade do Amor. Somente em 2015 Ciganerey foi para a agremiação de Cavalcanti, naquele fatídico ano em que a escola foi rebaixada por vir quase que completamente sem fantasias, devido à falhas amadoras da diretoria. Porém, em 2016, o cantor foi contratado pela Mangueira (devido à morte de Luizito, pois ele já havia acertado retorno ao Paraíso do Tuiuti, gravando até mesmo a versão do samba oficial no CD) para ser voz única no carro de som da Verde e Rosa. Com o assombro do rebaixamento que bateu à porta da sua quadra em 2015, após um 11º lugar lamentável, e apostando em um dos atuais melhores carnavalescos do Rio, Leandro Vieira, a Estação Primeira foi campeã com esse time. 


Premiações no carnaval carioca

Ciganerey já teve algumas conquistas individuais na sua carreira artística. Já em 1990 ganhara o Estandarte de Ouro como compositor. Ganhou prêmio de Melhor Intérprete do S@mbanet pelo Grupo de Acesso A, na Tuiuti, nos anos de 2000 e 2005. No ano de 2010, mais um prêmio como melhor cantor pelo S@mbanet, mas pelo Grupo B, com o Arranco do Engenho de Dentro. E em 2016, campeão pela Mangueira, recebeu como Melhor Intérprete também, mas pelo Tamborim de Ouro e Gato de Prata.



Fora do Rio de Janeiro

Longe da Cidade Maravilhosa, Ciganerey também realizou alguns trabalhos. Em 2010 foi voz junto com Vander Salles no carnaval de Porto Alegre, pela escola Academia de Samba Praiana. No carnaval da capital Sul-riograndense, também fez parte da Samba Puro. E em 2014, mas no carnaval de Uruguaiana, o intérprete cantou na Deu Chucha na Zebra, no enredo Sucatas.

Acadêmicos da Rocinha

Para 2019, o intérprete cantará o enredo Bananas para o Preconceito, do carnavalesco campeão da Série A em 2013, em seu ano de estreia. A Borboleta Encantada será a terceira agremiação a desfilar na sexta-feira de carnaval, pela Série A.

03 junho, 2018

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Sem comparação! Conheça mais sobre o intérprete, o seu estilo e elegância, e o trabalho artístico em paralelo ao samba-enredo. Saiba como foi a reação do cantor ao receber o convite da Vizinha Faladeira, as suas experiências fora do carnaval carioca e como os seus gritos de guerra se transformaram na sua marca registrada. É EXCLUSIVA!

O mercado do carnaval segue agitado. E desta vez é no Grupo B da LIESB. Anderson Paz, de voz inconfundível e que integrou o carro de som da Tricolor da Baixada, a Inocentes de Belford Roxo, com Ricardinho Guimarães, é o novo intérprete oficial da Associação Recreativista Escola de Samba Vizinha Faladeira.

Foto: Divulgação Facebook Anderson Paz

Início de carreira
Anderson Paz teve seu início de carreira ainda na região onde foi criado, no Complexo da Maré, no bloco Mataram Meu Gato, que hoje é a atual agremiação G.R.E.S Gato de Bonsucesso, na Nova Holanda, e fez parte de grupos de pagode com grandes intérpretes do samba-enredo carioca - Rixa, Carlinhos de Pilares, Dedé da Portela, Celino Dias, etc). Já no final da década de 90, ele compôs o carro de som da Portela e, no ano de 2000 foi contratado pela Sociedade Recreativo Escola de Samba Lins Imperial. Desta forma, foi vencedor do Prêmio S@mba-Net como o melhor cantor do Grupo B.





Seu talento chamou atenção. A São Clemente, agremiação que em 2001 disputava lugar para subir ao Grupo Especial e que revela/projeta muitos profissionais do mundo do samba, o chamou para ser intérprete oficial, onde permaneceu até 2004. Em 2005, Anderson Paz foi para a Acadêmicos da Rocinha, sendo campeão com o enredo Um mundo sem fronteiras, no Grupo de Acesso A, e em 2006, quando a Rocinha voltava ao Grupo de elite do carnaval carioca após 10 anos. Porém, em 2007, o intérprete se transferiu para a Estácio de Sá para cantar o enredo reedição de O Ti-ti-ti do Sapoti. Retornou à Borboleta Encantada de São Conrado em 2008, continuou em 2009, mas o seu destino em 2010 foi o Paraíso do Tuiuti, no enrendo Eneida, o Pierrot está de volta!. Também teve passagem pelo Unidos do Peruche, no carnaval de São Paulo, Mocidade Louca, de Campos, Unidos da Saudade, de Nova Friburgo. Seus últimos trabalhos foram no Porto da Pedra, de 2014 até 2017, onde brilhou com a sua voz.


ABAIXO, A ENTREVISTA EXCLUSIVA QUE O INTÉRPRETE ANDERSON PAZ CEDEU GENTILMENTE AO BLOG "OLHA A CRÍTICA!"

Thiago Nabuco: Como foi a sua reação ao receber o convite da Vizinha Faladeira?

Anderson Paz: Foi legal! Fiquei emocionado, porque os meninos que estão à frente da escola hoje, eu vi começando no samba! Quando eu os conheci, eles eram novinhos na bateria! E somos todos amigos de bairro! Não sou cria do Santo Cristo, mas no tempo que frequento o bairro passei a gostar muito daqui ! Minha esposa atual é criada no bairro e tenho filhos com ela. Minha vida passou a ser aqui, né! Quando eles , o presidente e amigo Davi e o Marquinhos me convidaram, eu não esperava. Geralmente, os amigos se acostumam muito com a gente perto, né...então percebemos o quanto eles nos valorizam ou não! É aquele velho ditado: Santo de casa ....mas tô feliz! Muitos, de repente, nem entendem isso, porque se acostumam a nos ver na Série A ou no Especial. Mas considero a Vizinha uma grande escola, independente do grupo, inclusive na questão financeira! Claro que nós profissionais queremos ganhar bem e cantar numa escola de ponta. Mas o carnaval da Série A e do Especial estão passando por um momento muito conturbado. De dois anos pra cá, tudo muito incerto! Isso deixa todos muito preocupados.


TN: O que te inspirou a adotar o grito de guerra “Sem comparação”? Foi pensado, ou saiu por acaso e agora é a sua marca?

AP: Uma delas. Foi em São Paulo, quando cantei na Unidos do Peruche. “Sem comparação! O meu Pavilhão é só emoção”. Aí, achei que ficou legal e vim fazendo. Mas o “Seguraaiiiiiiiiiiii” e o "Salve as crianças” todos gostam.


TN: Por razões pessoais, você teve de se afastar do Carnaval por um período. Como foi tomada a sua decisão de que já poderia retornar?

AP: Sim! Me afastei por motivos religiosos e pessoais! Estava me separando da minha ex- esposa, fiquei muito chateado psicologicamente. Um ano antes havia passado por problemas profissionais, quando saí da Acadêmicos da Rocinha e fui pro Império Serrano. As coisas acabaram não dando certo por lá. Fiquei quase de fora do carnaval em 2010. O Thor, era presidente da Tuiuti e me chamou para ir pra lá. Juntando separação, mudanças de escola e problemas emocionais, profissionais, logo mexe com o nosso espiritual também, né. Foi que quando voltei pra Rocinha, e nem permaneci. Entreguei o cargo no palco da escola porque me converti ao evangelho,e aceitei (recebi) Jesus Cristo,  abandonei o samba e o carnaval. E, sinceramente, não ia voltar mais! Um ano depois, um irmão da igreja quem conversou comigo, e me orientou a voltar a trabalhar com que eu gosto, que é cantar, a música! Depois de muitas orações para não fazer as coisas de qualquer jeito, voltando, fui convidado por duas escolas, Em Cima da Hora e Unidos do Porto da Pedra. Fui pra Porto, onde fiquei durante 4 anos. Hoje sou evangélico e faço o meu trabalho de cantor de Samba Secular Não canto só nas escolas, também tenho um CD solo de pagode que, inclusive, eu já tinha gravado antes de ir pra igreja.

NE: Confira a faixa Na Lei da Razão, do álbum do intérprete chamado Referência >>> https://www.youtube.com/watch?v=axntfJGSPVQ&t=1s <<<


TN: Já teve que mudar muito o seu tom ou estilo de cantar em alguma agremiação?

Anderson Paz, nos tempos de São Clemente / Foto: Sambariocarnaval
AP: Não! Isso vai de acordo com o trabalho que cada escola tem. Cada escola tem as suas características, sua marca, cultura, etc. E eu busco respeitar isso. Hoje faço um trabalho além de intérprete, não só de subir ao palco pra cantar. Me comunico mais com a escola, interajo mais com a comunidade, com o público, com os torcedores e fãs da escola. Faço um trabalho de acordo com o samba escolhido, procurando imprimir um canto forte, juntamente com a comunidade e os  componentes! Todos sabem que, apesar das escolas serem coirmãs, há uma disputa em questão. Por isso busco incentivar, levantar a autoestima nos ensaios da escola, rumo à vitória, ao campeonato.



TN: Existe diferença entre cantar no Carnaval de São Paulo e no do Rio?

AP: De certa forma, sim. Foi o que falei, a cultura...apesar de ser samba, carnaval, eles fazem carnaval de uma forma diferente. Hoje, já está até mais profissional, pois muitos dirigentes e diretores vem aprender e buscar assessoria no carnaval do Rio! Aqui, no Rio, o carioca gosta da cultura samba e carnaval. Lá são poucos que gostam e desfilam. Uma parte não liga para o samba e o carnaval. A verba, por exemplo, é bem menor que no Rio. Os direitos autorais de samba enredo também. Os salários de componentes contratados, como interprete, diretor de bateria, Mestre-Sala e Porta-Bandeira, etc, é bem mais baixo, até por causa da verba. Mesmo sendo carnaval, o clima também é diferente. Fui cantor da Unidos do Peruche em 2012 e, para fazer o componente se soltar, evoluir e cantar, foi preciso interagir mais do que aqui, no Rio! Lembro que quando fui intérprete naquele ano, o Peruche estava no Grupo de Acesso e, no entorno do Anhembi, não tinha ninguém, muito vazio! Só havia os desfilantes das escolas daquele dia. Enquanto aqui, o centro da cidade e todos os lugares  ferve com os desfiles das escolas, coretos e blocos em todos os dias da semana do carnaval. Agora, de uns 3 anos para cá, que São Paulo tem aderindo aos blocos de rua.


TN: Como foi a sua experiência no Carnaval de Campos e de Nova Friburgo?

AP: As experiências são boas, mas é sempre bom frisar que, quando vamos fazer um trabalho fora do Rio, vamos nos deparar com pessoas que são desses lugares, e lidamos com culturas diferentes. As opiniões se dividem muito. Tem lugares em que somos muito bem recebidos, muitos dizem que são fãs, etc. Acho que isso depende muito do desenvolvimento do trabalho que iremos fazer nos lugares. Em Campos (2015) foi muito bom. Inclusive, fui contratado para o próximo carnaval de lá, que seria agora nesses meses, mas acho que não haverá carnaval lá esse ano. A escola é a Mocidade Louca, do presidente Jorginho de Ogum. Em Friburgo foi na Unidos da Saudade, em 2015. Fizemos um desfile lindo. Independente de qualquer coisa, é sempre bom levar nossa experiência para outras cidades. Esse ano fui campeão do carnaval de Três Rios, na G.R.E.S Bom das Bocas.


TN: Você foi um dos primeiros intérpretes que “renovou” o design dos trajes dos cantores, como, por exemplo, na São Clemente, quando vestia terno amarelo e preto, porém, em quadriculados, losango, estrelas e etc, rompendo com a formalidade dos ternos. Hoje, muitos cantores até vem completamente fantasiados. Você acha esse crescimento importante?

Anderson e sua filha, Maria Luisa , no Porto da Pedra-2017/ Foto: Sambarazzo
AP: Sim! Inclusive, nos últimos anos, na Porto da Pedra, desfilei bem à vontade, combinando com o enredo. Mas isso tudo começou porque na Estácio eu passei mal e ninguém sabia disso! Nem minha ex-esposa, que desfilava sempre comigo. Só percebeu no fim do desfile. Estava muito calor em 2007 e o terno era de um tecido muito grosso, passei muito mal, mas não podia deixar o microfone cair, né kkkkkkkkkkkkkkkkk. E fui cantando mais pausado, mas fui até o fim. Ufa! Sempre fui muito vaidoso, acho que um dos mais elegantes, assim diziam. Quando comecei, na década de 90, na Portela, eu sempre mandava fazer as minhas roupas em alfaiate, nem era oficial, mas gostava de chagar bonito, só usava linho! Aqui, no Rio, isso mudou muito. Os intérpretes sobem no palco até de camiseta sem manga. Em São Paulo, os cantores são mais tradicionais. Usam sobretudo e ternos, sapatos de couro bonitos, porque, além disso, lá faz muito frio.


TN: Existe diferença entre cantar um samba na quadra e no dia do desfile?

AP: Há uma diferença entre avenida e quadra. Na quadra, procuro cantar bem, com boa dicção, sem muitos cacos. Na Avenida, aí sim! O canto é com mais garra.