30 maio, 2018

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Agremiações que foram expulsas pela prefeitura ainda buscam um teto para abrigarem seus barracões. Espaço na Avenida Brasil pode ser a solução. Porém, o terreno já tinha previsão para ser usado para outras manifestações culturais

No post anterior do blog, eu comentava justamente sobre a questão das escolas de samba da Série A do carnaval carioca ficarem sem seus barracões, devido à operações da prefeitura para as obras na Zona Portuária da cidade. Confira AQUI um apanhado do descaso e negligência das prefeituras do Rio. Esse despejo, inclusive, rendeu apelo dos presidentes Reginaldo Gomes (Inocentes de Belford Roxo), Marcos Vinícius de Almeida (Alegria da Zona Sul) e Zezo (Santa Cruz). 

Enquanto as promessas que os sambistas ouvem desde 2011, quando o então prefeito da cidade, Eduardo Paes, havia levantado a hipótese da construção da Cidade do Samba 2, que abrigaria as agremiações da Série A do carnaval, uma solução para o descaso do poder público com a cultura carioca pode estar tomando forma. Na semana passada, mais precisamente no dia 25 de maio, a LIERJ (Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro), diante dos despejos que ocorreram nos antigos barracões, solicitou à RioTur que o terreno próximo à antiga fábrica Sabão Português, na Avenida Brasil, em Benfica, onde era a Rheem Química, na Rua Prefeito Olympio de Melo 721. Assim, no espaço requisitado com 5 mil metros quadrados, a intenção é com que este local se torne a Cidade do Samba 2, tão especulada desde que o ex-prefeito jogou a ideia no ar e deixou todos só na saudade.

– A Cidade do Samba 2 é um sonho que temos há seis anos. Estamos montando um projeto pra este terreno e, assim que ficar pronto, vamos apresentar pra prefeitura – revelou Renato Thor, presidente da LIERJ.


Alegoria da Alegria da Zona Sul já no novo local / Foto: Guito Moreto/Agência O Globo


Manifestações ignoradas

O terreno, inclusive, aproveitando a deixa das prefeituras de negligenciarem e não investirem nada em cultura, educação e cidadania, seria utilizado para o projeto "Escola da Rua", batizado carinhosamente de "Funkódromo", onde seriam realizadas oficinas de grafite, DJs, MCs e dançarinos, hip hop, funk e outras manifestações urbanas. Este espaço havia sido demolido pelo poder público em setembro de 2012, mas nunca foi utilizado para estes fins. Tira-se de um lado (que mal tem)para dar para outro. 

Segundo a LIERJ, apenas a Acadêmicos do Cubango e a Unidos de Padre Miguel são donas dos seus respectivos barracões na Série A, o que deixa a situação das demais coirmãs temerária.

Resta, a quem acompanha o carnaval, aguardar a boa vontade dos nossos gestores e torcer para que a promessa saia do papel. Enquanto há 12 anos somente uma pequena parte goza de ótima estrutura, outras são expulsas de suas casas, ou mal tem onde começar a montá-la, no caso das agremiações da Intendente Magalhães.

Em nota, a entidade reguladora da Série A se manifestou acerca do assunto:


A diretoria da Lierj esteve reunida durante esta semana com o presidente da Riotur, Marcelo Alves, e, entre diversas pautas, voltou a falar sobre a importância da Cidade do Samba 2 para as escolas de samba da Série A. A conversa foi bastante produtiva e o presidente prometeu abraçar a causa, prontificando-se a viabilizar a cessão de um terreno localizado na Avenida Brasil para que o projeto tão sonhado seja iniciado.


Fontes: Sambarazzo e O Globo

23 maio, 2018

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Agremiações pagam o preço da falta de incentivo à cultura na cidade. Prefeitos ignoram problemas de segurança dos barracões e permitem que vidas fiquem expostas ao risco; Agremiações da Série A ficam sem teto.

Desvalorização da cultura carioca, falta de suporte no decorrer do ano às escolas de samba, negligência com os barracões das agremiações, atraso no repasse de verba, corte de verba. É desta forma que o carnaval tem se mostrado o objeto de menor importância para as secretarias de cultura da cidade do Rio de Janeiro, ao menos, desde o final da década de 90, quando comecei a acompanhar os festejos carnavalescos. 

Na eleições municipais, um monte de candidatos pedem voto nas quadras das escolas de samba, ou então quando o locutor anuncia, por exemplo "Sr. Deputado Julio Lopes" ou "Sra. Deputada Cristiane Brasil", falando de forma fictícia, em algum evento na quadra de alguma agremiação. A promessa de um carnaval melhor, mais estruturado, que tenha envolvimento maior do poder público para que o espetáculo seja ainda mais gigantesco, fica só no discurso. Entretanto, o que sentimos é o constante sucateamento do carnaval do Rio de Janeiro.

Duas alegorias da União da Ilha e, ao fundo, fumaça do fogo controlado / Foto: Gazeta do Povo
O desmonte recente do carnaval carioca teve o seu pico em 2011, quando houve o incêndio na Cidade do Samba - construída para a segurança somente do grupo de elite do carnaval do Rio - e quando foi decidido que nenhuma agremiação seria rebaixada naquele ano, devido às grandes perdas no barracões da Grande Rio (candidata ao título daquele ano), União da Ilha (que havia conseguido um bom patrocínio para o desfile e vinha para competir entre as seis primeiras) e Portela (com o carnaval mais atrasado do Grupo Especial).

No mesmo ano de 2011, no mês de junho, começaram as ordens de despejo das escolas de samba que tinham os seus barracões localizados no Carandiru, na Praça Marechal Hermes, no Santo Cristo. O motivo alegado foram as obras do Porto Maravilha e instalações das Olimpíadas Rio-2016. Além da remoção de 38 famílias que viviam no local. As "benfeitorias", segundo noticiou o jornal O Dia, eram as construções de "vilas de mídia e árbitros, com cerca de 11 mil quartos; o centro de convenções, que terá cerca de 50 mil metros quadrados; um hotel cinco estrelas com 500 quartos; e ainda instalações olímpicas temporárias, como centros de mídia, de operações e de credenciamento". A prefeitura, então, decidiu direcionar essas agremiações a Rua Peter Lund, 30, no Caju e abrigaria Unidos de Vila Santa Tereza, Difícil É o nome, Unidos de Padre Miguel, União do Parque Curicica, União de Jacarepaguá, Mocidade de Vicente de Carvalho e Acadêmicos de Santa Cruz. Nessa brincadeira, a antiga quadra da Vizinha Faladeira teve de ser desativada.


Antigo barracão da Renascer / Foto: Sambarazzo
Incêndios viraram rotina

As medidas de prevenção que a prefeitura poderia oferecer não são oferecidas. O máximo, como já descrito acima, um deslocamento para uma outra área que também não possui condições para que os trabalhos de uma agremiação sejam realizados. No carnaval de 2018, por exemplo, a Renascer de Jacarepaguá, que tinha o seu barracão situado pela mesma região das demais, mas ao lado da quadra da Unidos da Tijuca, onde se situavam os antigos barracões do Império Serrano e Tradição, sofreu com incêndios ao menos duas vezes durante os preparativos do seu desfile. 





Mais operação da prefeitura que removeram as agremiações de seus barracões

Incêndio no barracão da Unidos da Ponte e Lins Imperial / Foto: ANSA
Recentemente, mais problemas em relação às instalações. Mais uma vez com escolas de samba que de menor expressão, demonstrando o total desrespeito do poder público para com a cultura do samba. A Lins Imperial (6ª colocada no Grupo B da Intendente Magalhães com o enrendo Zicartola) e a Unidos da Ponte, que conquistou o direito de desfilar na Série A 2019 após ser campeã do Grupo de Acesso B, com o enredo Romance de Xangô: a dança do fogo, sofreram com a perda de muitos materiais. Abrigadas no barracão cedido pelo Império da Tijuca, também na zona portuária, na altura da Rodoviária Novo Rio, um incêndio misterioso destruiu alegorias que lá se encontravam. Segundo relatos da própria diretoria da Verde e Rosa, a causa do sinistro foi devido a moradores de rua, que ateavam fogo em alguns objetos, do lado de fora do barracão. A possível solução para estes grandes problemas seria o cumprimento da promessa da construção da Cidade do Samba 2.


À direita, Eduardo Paes / Foto: O Carnavalesco
Um "trote" chamado de Cidade do Samba 2

Sim, é um trote. Não existe a menor possibilidade de não afirmar que a construção de uma nova Cidade do Samba, que abrigue agremiações da Série A e divisões da Intendente Magalhães, não passa de uma grande "tiração de sarro" com a cara do povo do samba, desde 2011. Eduardo Paes, ex-prefeito do Rio de Janeiro, garantiu, por meio do seu Secretário de Turismo, Antonio Pedro Figueira de Mello, que a Cidade do Samba 2 ficaria pronta em pouquíssimo tempo. Leia AQUI a matéria do jornal Extra com o trecho em que Figueira de Mello afirma que o novo templo do samba seria levantado.

Em 2016, no entanto, após uma série de fatores que contribuiriam com o discurso político do "agora não dá, deixa pra próxima", Eduardo Paes não quis saber de delongas e foi direto ao afirmar que a Cidade do Samba 2 foi descartada - confira AQUI.

Escolas mirins sofrem junto

Já na gestão do bispo-prefeito Marcelo Crivella, mais ordens de despejo. Após campanha em quadra de escolas de samba, fazer cara de santo, cantar e fazer o seu show próprio para conseguir votos, anúncio de corte de verba. Mas isso não seria o suficiente para um gestor que encara cultura popular como "pecado". Uma semana após os desfiles do carnaval 2018, a Justiça autorizou a desocupação do galpão na Rua do Equador, local que abrigava alegorias da Alegria da Zona Sul, Acadêmicos do Sossego, Unidos do Cabuçu e duas agremiações mirins, a Miúda do Cabuçu e Mangueira do Amanhã. O local, inclusive, era utilizado por pessoas sem teto e que trabalhavam também com as agremiações nos períodos de produção. A alegação foi a falta de conservação do local, além das obras do VLT e Porto Maravilha. A prefeitura mal se preocupou em realocá-los. 

Escolas da Série A sem teto

Enquanto os descasos vão aumentando e não temos a menor previsão de quando teremos locais adequados para receberem pessoas e materiais de produção, a Inocentes de Belford Roxo, Alegria da Zona Sul (que já havia se mudado) e Santa Cruz podem receber a qualquer momento uma ordem de despejo de seus respectivos barracões, situados na Avenida Pereira Reis. A agremiação baixadense, inclusive, ocupa o espaço desde 1998. No total, serão 10 carros alegóricos sem local para serem guardados.


18 maio, 2018

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Situações que também poderiam ter sido facilmente contestadas para anular rebaixamentos já ocorreram, entretanto, o regulamento foi seguido, ao contrário do que foi feito pela Grande Rio, e respeitado por agremiações consideradas de "menor expressão" no carnaval





Pelo segundo ano consecutivo não houve descenso de nenhuma agremiação do Grupo Especial para a Série A. Creio que todos que acompanham carnaval estão a par do ocorrido nos desfiles de 2017 também.

Circo armado
Em reunião feita 15 dias após a apuração com apoio maciço do presidente da Unidos da Tijuca, Fernando Horta, o qual precisava devolver o favor a Jayder Soares - por ter sido a favor do não rebaixamento de ninguém em 2017, quando a Unidos da Tijuca se via ameaçada - e por isso encabeça a lista, além da mandatária do Salgueiro, Regina Celi, que colocou o Crivella dentro da quadra da agremiação para pedir votos ao bispo-prefeito - que também feriu o regimento eleitoral do Salgueiro e teve a candidatura impugnada pela justiça (veja mais aqui).


Detalhe importante: A reunião era somente para contestar as notas que foram atribuídas às alegorias da agremiação de Caxias que, segundo a visão dos diretores presentes, não foram justas. Detalhe 2: As justificativas das notas ainda não haviam sido divulgadas. Detalhe 3: O Império Serrano, último colocado, entrou de gaiato no navio e por tabela não foi rebaixado, mesmo não tendo o melhor desfile entre as 13.

Incrivelmente, a decisão do não rebaixamento não foi por falta de verba, nem porque são a favor de 14 agremiações no Grupo Especial. Foi para livrar a cara da escola trampolim de audiência da emissora que transmite o desfile. Fica claro que desfila no Grupo Especial quem a LIESA decide em vez do julgamento de pessoas aptas (até então) a exercerem a função. A Liga rasga o regulamento quando ela quiser e já provou isso por 2 anos consecutivos.


1ª virada de mesa – 2017
Alegoria da Tuiuti deixou 20 feridos e atrasou a Grande Rio. A jornalista Liza Carioca veio a óbito por causa dessa irresponsabilidade ainda não resolvida. No dia seguinte, uma alegoria da Unidos da Tijuca despenca e fere 12 pessoas, atrasando todas as outras coirmãs.


Alegoria da Tuiuti, que matou uma jornalista no carnaval 2017 / Foto: André Durão
A causa do problema:
A alegoria apresentava eixo de "roda maluca" - aquelas rodinhas de carrinho de supermercado, que são completamente desgovernadas e se desgovernou com o peso e com a falta de ação humana. Quanto a agremiação tijucana, pura e simples incompetência dos envolvidos na montagem do carro alegórico, colocando a vida de muitas pessoas em risco.


Conclusão...
Houve uma reunião às pressas, meia hora antes da apuração para definir o não rebaixamento de nenhuma agremiação, tendo em vista que a Unidos da Tijuca deve ter se sentido ameaçada a rebaixamento após o problema ser "visualmente" maior (a jornalista ainda não havia morrido), já que a alegoria despencou na frente do Setor 1, tal qual no acidente causado pela Tuiuti. Jayder Soares, presidente de honra da Grande Rio, foi um dos que mais apoiou que nenhuma escola fosse rebaixada. Enquanto isso, nenhuma punição para as duas agremiações pelos acidentes.

2ª virada de mesa – 2018
Problemas na concentração da Grande Rio com a última alegoria da representação do carnaval Pernambucano não permitiram que o carro entrasse no desfile. Ele subiu com uma parte da estrutura no meio-fio e ficou “encalhado” lá, sendo necessários dois reboques para a retirada.

A causa do problema:
Carro extremamente pesado, com eixo de roda maluca e trabalho mal executado da direção do carnaval da Grande Rio. Afinal, qual é o outro motivo para que uma alegoria suba uma calçada? Qual é o outro motivo, que não seja descaso, para se construir uma alegoria daquele tamanho com esse eixo minúsculo e inseguro? Será que pensaram que, caso ele entrasse, ele poderia causar o mesmo acidente causado pela Tuiuti em 2017 por causa da mesma estrutura alegórica?

Alegoria da Unidos da Tijuca com a cobertura desabada / Reprodução
Conclusão...
Teve chororô de Pezão e Crivella, que ridiculamente enviaram um ofício para o presidente da LIESA, Jorge Castanheira, ainda na quarta de cinzas, pedindo o cancelamento do rebaixamento do carnaval do Grupo Especial. Quem também se manifestou foi o prefeito eleito de Duque de Caxias, Washington Reis, que recebe apoio político do governador do estado e da cidade do Rio. Vejam abaixo:

Além de não querer dar a verba total para as escolas de samba, o bispo-prefeito interveio de maneira lamentável a fim de impor a sua vontade, do governador e de Washington Reis quanto ao rebaixamento no Grupo Especial do Rio de Janeiro

Parece que os problemas no carnaval do Rio de Janeiro começaram recentemente. Mas essas adversidades ocorrem desde que os desfiles se tornaram esses grandes préstitos. Muito se foi falado sobre a questão do julgamento da agremiação na quarta de cinzas. Porém, o que se nota, de fato, é que nada foi satisfatório para a escola e a alta cúpula da direção. Tanto que saíram:


Foto: Irapuã Jeferson
Priscilla Mota e Rodrigo Neri - Coreógrafos de Comissão de Frente - Deixaram a agremiação após 4 anos em Caxias. A dupla de coreógrafos, inclusive, foi responsável pelas novas configurações de Comissão de Frente, onde o espetáculo, surpresa e mistério abrem um desfile, diferente de ser apenas uma introdução ao enredo da escola. Despontaram em 2010, na Unidos da Tijuca, quando foram campeões com É Segredo.

Thiago Diogo - Mestre de Bateria - Desde 2015 à frente dos ritmistas da Invocada, foi dispensado após o carnaval deste ano. Ele iniciou sua carreira em 2009, no Porto da Pedra, e também passou pela União da Ilha. Incrivelmente Thiago Diogo garantiu 30 pontos no quesito Bateria. Cria da casa, Mestre Fafá assume o posto.


Dudu Azevedo - Diretor de Carnaval - Dispensado e logo contratado pela União da Ilha para dirigir seu carnaval em 2019.



Foto: Divulgação



Verônica Lima - 1ª Porta-Bandeira - Com um Estandarte de Ouro no currículo, foi dispensada pela Tricolor de Duque de Caxias e foi até a Serrinha, para formar dupla com Diogo Jesus, que iniciou a sua carreira em 2011 na Acadêmicos da Rocinha.







Emerson agora é do Salgueiro para o carnaval 2019 / Foto: Michele Iassanori/Sambarazzo
Emerson Dias - Intérprete - Uma das figuras mais carismáticas da agremiação, que segurou os sambas da Grande Rio de forma muito positiva nos anos em que esteve à frente da voz da escola. Para o seu lugar chegou Evandro Malandro, que estava na Cubango.





Será que o problema do julgamento foi dos jurados?
Lembrando que esse não rebaixamento afetou também quem descenderia da Série A para a Série B. Ou seja, a LIESA conseguiu atravancar o caminho da LIERJ.


Para demonstrar melhor como já ocorreram problemas semelhantes e mesmo assim o regulamento foi respeitado, confira abaixo a situação de algumas agremiações que tiveram de aceitar suas avaliações e não contestaram por reconhecerem as falhas:


Viradouro 1992 - Alegoria no final do desfile começou a pegar fogo de maneira incessante, se extinguindo somente após queima de quase todo o material. Não houve contestação com medo de rebaixamento devido ao problema

Sereno de Campo Grande 2013 – problema na iluminação. Todas as alegorias apagadas. Problema somente entre diretoria e equipe técnica. Não houve plenária pra impedir a “injustiça”. 

União do Parque Curicica 2013 – problema na alegoria e ele ainda se deu durante a realização do desfile, podendo colocar em risco integrantes da escola. Não houve contestação da diretoria nos descontos dos quesitos.

Alegria da Zona Sul 2014 – Última alegoria não entrou no desfile, ocorrendo situação IDÊNTICA a da Grande Rio, o carro foi rebocado e houve atraso no desfile da União do Parque Curicica. Não houve plenária de contestação sobre possibilidade de rebaixamento ou críticas às notas.

Em Cima da Hora 2015 – Agremiação teve problemas com fantasias. 80% da agremiação não estava fantasiada. Não houve contestação por problemas com as indumentárias.

União do Parque Curicica 2016 – Alegoria não saiu do barracão e a confecção das demais estavam sendo finalizadas horas antes do desfile. Não houve contestação.

Caprichosos 2016 – Agremiação teve problemas de ponta a ponta. Muitos problemas, principalmente, em evolução e nas alegorias, que ao final estavam sendo empurradas também pelo intérprete Thiago Britto. As alegorias encalharam na dispersão e houve atraso. Foi rebaixada sem contestação.

A SOLUÇÃO (?) ENCONTRADA PELO MINISTÉRIO PÚBLICO - Multar a LIESA em R$1 milhão caso ocorram novas viradas de mesa. Segundo o promotor Rodrigo Terra, essa medida impede que seja movida uma ação pedindo o cancelamento do resultado do carnaval deste ano.
Ou seja: Conforme-se. A LIESA tem dinheiro pra pagar multa e mudar o regulamento da forma que ela preferir. Afinal, é a mesma que se regula. É bom que nas próximas eleições da entidade seja pensado em cortar "Castanheiras" em vez de manter uma raiz que não tem dado bons frutos.

17 maio, 2018

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Carnavalesco responsável pelo desfile da Acadêmicos da Rocinha em 2018 estreia na Inocentes de Belford Roxo. Veja um pouco mais sobre a carreira do artista

A representante de Belford Roxo na Série A do carnaval carioca tem um novo nome para assinar seu enredo. Em 2019, Marcus Ferreira, que elaborou o enredo Madeira Matriz da Rocinha em 2018, é o novo carnavalesco da agremiação da Cidade do Amor. Com a escola de São Conrado, alcançou a 11ª colocação na apuração deste ano.


Formação e início dos trabalhos

Marcus Ferreira é graduado na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC) em Arquitetura e Design Gráfico, mas a paixão pela arte carnavalesca o deu a primeira oportunidade de assinar um enredo em 2009, pela Mocidade de Vicente de Carvalho, no antigo Grupo RJ-2, equivalente ao atual Grupo C da LIESB, entidade reguladora dos desfiles da Intendente Magalhães, com o enredo Pelas ruas da cidade abram alas pra Mocidade, interpretado à época por Arthur Franco, atualmente na Imperatriz Leopoldinense. Logo neste primeiro ano, o terceiro lugar na divisão garantiu acesso ao Grupo RJ-1 (Grupo B). Desta forma, conseguiu o direito de desfilar na Marquês de Sapucaí no carnaval 2010. Desfilando na terça-feira com o enredo Bonecas: impossível não se apaixonar por elas, interpretado por Hugo Junior, ex-Cubango, conseguiu apenas a nona colocação, permanecendo no Grupo.

Marcus Ferreira ao lado do presidente da Inocentes de Belford Roxo, Reginaldo Gomes / Divulgação


No ano de 2011, Marcus Ferreira foi para a Unidos de Padre Miguel, que naquela altura já mostrava desfiles memoráveis, assinou autoria do enredo Hilária Batista de Almeida, em que Fábio Santos executou o enredo que era muito semelhante ao da Vila Isabel naquele mesmo ano. O da Mocidade era Uma viagem ao universo dos cabelos, enquanto o da escola do bairro homônimo era Mitos e Histórias Entrelaçados Pelos Fios de Cabelo.

Neste mesmo ano, o carnavalesco foi convidado pela Estácio de Sá para elaborar o enredo Rosas, no último ano de mandato do presidente Marco Aurélio Fernandes, que também havia contratado Junior Scapin para ser coreógrafo da comissão de frente. Em 2011, inclusive, Marcus Ferreira recebeu o prêmio de revelação do carnaval, melhor figurinista e melhor alegoria do Grupo de Acesso A. O Leão conseguiu a terceira colocação, atrás apenas da campeã Renascer de Jacarepaguá, e da vice, Viradouro.

Em 2012, ainda na Estácio de Sá, foi responsável pelo desfile Luma de Oliveira: o Coração de um País em Festa, enredo muito contestado por parte da diretoria, à época. O resultado do carnaval daquele ano seria o sétimo lugar na tabela. Cabe lembrar que, naquele ano, eram apenas 9 agremiações no Grupo de Acesso A, dirigido pela catastrófica e lamentável LESGA, que se extinguiria ainda em 2012 e daria lugar à LIERJ.


Centenário de Jamelão

Com a nova liga do Grupo de Acesso fundada - naquele ano se alternou com o nome "Série Ouro" até ser fixado como "Série A" - 19 agremiações estavam na segunda divisão do carnaval do Rio de Janeiro com a fusão dos Grupos de Acesso A e B, que eram chefiados pela LESGA e AESCRJ, respectivamente. Marcus Ferreira foi para a Unidos do Jacarezinho, que havia conseguido o primeiro lugar no desfile de 2012 no Grupo C, ascendendo ao B e desfilando na Série A-2013. Naquele ano, segundo o "Estadão", a Rosa e Branco tinha a intenção de reeditar o enredo da própria, de 1998, Jacarezinho é...Etnias na Sapucaí". Desfile este que atribuiu o título do Grupo B à agremiação.

Porém, surgiu uma proposta enviada pelo presidente Ivo Meirelles, da Mangueira, para homenagear o eterno intérprete Jamelão, tendo em vista que a própria Mangueira sob gestão de Ivo não quis falar sobre um dos maiores expoentes da Verde e Rosa no enredo para 2013 e atribuiu à afilhada essa função. A diretoria da escola do Jacaré acatou e Marcus Ferreira executou. Infelizmente, a Unidos do Jacarezinho amargou a 18ª colocação, sendo rebaixada ao Grupo B de 2014 junto com Unidos de Vila Santa Tereza e Sereno de Campo Grande.

Alegoria da Unidos do Jacarezinho, em 2013 / Extra online


Marcus Ferreira foi do Jacaré à Jacarepaguá. Em 2014 ele foi o responsável pelo desfile da Renascer sobre o cartunista Lan, com Olhar Caricato: Simplesmente, Lan!. A agremiação passava por algumas dificuldades na elaboração do carnaval, pois havia sido rebaixada no ano anterior. No entanto, o 11º lugar garantiu que não houvesse o rebaixamento da entidade. Enquanto no ano anterior foi rebaixado para o Grupo C com a Unidos de Vila Santa Tereza.

No ano de 2016, Marcus Ferreira elaborou um dos desfiles - que ao menos eu me lembro - mais bem ilustrados na sua carreira. Na União do Parque Curicica, e com o enredo Corações Mamulengos a agremiação de Jacarepaguá apresentou uma plástica muito elogiável - principalmente a alegoria que trazia a figura de um palhaço, que estava aterrorizante. Mas o não aparecimento de uma alegoria no desfile por não ter conseguido sair do barracão custou ao Parque Curicica o 11º lugar. Sem dúvidas, se não fosse a alegoria que ficou pelo caminho, a colocação seria melhor (nesse caso, diferente da Grande Rio em 2018, foi levado em consideração a falta da alegoria. Não houve contestação nem tentativa de virada de mesa).

Primeiro campeonato na Sapucaí

Marcus Ferreira chegou ao Império Serrano em 2017. A agremiação vinha batendo na trave nos desfiles dos anos anteriores e enxergaram no talento do carnavalesco a chance de retornar ao Grupo Especial, o qual não visitava desde 2009. Com o enredo inspirado no saudoso escritor Manoel de Barros, Meu Quintal é o Maior do Mundo levou o Reizinho de Madureira ao título da Série A - mesmo com minhas contestações acerca do acabamento terrível das alegorias. A Verde e Branco não quis renovar o contrato com o carnavalesco, que em 2018 teve passagem pela Acadêmicos da Rocinha, desenvolvendo Madeira Matriz, em homenagem ao maior gravador popular da história brasileira, J. Borges. Manteve a escola na Série A e ainda esteve à frente do carnaval da União do Parque Curicica também. E no Grupo B, com O Reino está nu!, ficou a apenas 0,1 ponto de conseguir o acesso à Série A, mas ficou com o vice-campeonato da chave.

Xilogravura de J. Borges: A professora



16 maio, 2018

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Intérprete que estava na Unidos de Bangu acerta com a agremiação de Niterói para 2019. Confira abaixo um pouco mais sobre a carreira de Thiago Britto


A Acadêmicos do Cubango tem um novo intérprete para o carnaval 2019. Trata-se de Thiago Britto, de 30 anos, com um currículo longo na vida do mundo do samba. O cantor, que em 2018 esteve no carro de som da Unidos de Bangu, juntamente com Leandro Santos, assume pela primeira vez o canto de uma agremiação de Niterói.

Thiago Britto iniciou a carreira em Pilares, mas na escola mirim da principal agremiação do bairro, a Inocentes de Pilares, até chegar ao posto de intérprete oficial da Azul e Branco. O primeiro samba, inclusive, que Thiago cantou em 2010, estreando na Caprichosos, foi E por falar em saudade... reedição do carnaval de 1984, naquele desfile memorável aos mais antigos. 

Permaneceu na Caprichosos até 2016 - com um hiato em 2013, quando Celino Dias cantou na Azul e Branco, enquanto Thiago estava no Grupo Especial, ao lado de Wantuir, na Inocentes de Belford Roxo - , quando ela foi rebaixada de forma lamentável, quando até mesmo o próprio Thiago ajudava a empurrar a última alegoria, após muitos minutos de atraso. Em 2017 teve passagem pela Estácio de Sá, segurando o samba até o final. Não permaneceu no Berço do Samba e foi parar na Zona Oeste do Rio, na Unidos de Bangu, junto com Leandro Santos em 2018. A Vermelho e Branco permaneceu na Série A do carnaval carioca.


Arrebenta, bateria! Thiago Britto é da Cubango / Acervo Pessoal Thiago Britto


Ainda como intérprete oficial, Thiago Britto também esteve na Inocentes de Belford Roxo, como citado acima, mas descendeu com a agremiação naquele carnaval de 2013. E desde 2017 ele também é cantor da Camisa Verde e Branco, de São Paulo - 4ª colocação em 2017.

Como a Acadêmicos do Cubango ficou sem intérprete, já que a Grande Rio (que não aceitou o rebaixamento) contratou Evandro Malandro, que estava à frente da voz da Verde e Branco de Niterói, Thiago Britto foi a escola da agremiação, que estará muito bem representada a plenos pulmões pelo cantor que é um dos grandes da nova geração do mundo dos sambas-enredo.

Como voz de apoio, ele esteve junto no carro de som na própria Caprichosos, Acadêmicos da Abolição, Difícil é o Nome, Inocentes de Belford Roxo, Portela, Tradição, Unidos da Tijuca, e em 2018 esteve no Salgueiro.

Prêmios no Carnaval Carioca
Thiago Britto também coleciona premiações pela sua carreira. Em 2010, recebeu o Prêmio Especial da premiação S@amba-net, além do Estrela do Carnaval na categoria Revelação. Em 2016, mesmo com o rebaixamento da Caprichosos de Pilares, o cantor recebeu o Troféu Jorge Lafond, na categoria de melhor intérprete da Série A do carnaval.