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02 setembro, 2018

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Intérprete do Botafogo Samba Clube, com mais de 20 anos de carreira, com passagens por escolas como Cubango, Império Serrano e União de Jacarepaguá falou um pouco da carreira e deu sua breve opinião sobre a Intendente Magalhães enquanto intérprete e as escolas de samba que ele já defendeu no Carnaval da LIESV (Liga das Escolas de Samba Virtual)

"Pintou o clima!", "Ah, que bonitinho", "Solta o bicho, maestro", "Que papai do céu abeçoe a quem merece", "Vamos chegando, vamos chegando"... com esse repertório grande de cacos e bordões, este é Sebastião Bento da Cruz, o Tiãozinho Cruz, atualmente intérprete do Botafogo Samba Clube, agremiação que era a antiga Tupy de Brás de Pina, que mudou de nome para se tornar a agremiação botafoguense (neste clima futebolístico, confira CLICANDO AQUI e AQUI sobre os Imperadores Rubro-Negros, agremiação de apaixonados pelo Flamengo e que vem com força no Grupo E do carnaval da Intendente Magalhães, em Campinho, Zona Norte do município). 


Início de carreira

Tiãozinho Cruz iniciou a sua carreira como intérprete oficial de uma escola de samba em 1992, pela Unidos de Lucas, então com 29 anos de idade, no enredo Baía com I, desenvolvido por Sid Camillo e Sanclair Boiron. Naquele ano, o Galo de Ouro ficou na nona colocação, no antigo Grupo A do Rio de Janeiro. 

Depois, em 1995, recebeu convite da Lins Imperial, que tinha como enredo Estrela Imperial em Verde e Rosa, do carnavalesco Orlando Junior, também pelo Grupo A do carnaval carioca, substituindo Celino Dias, tipo de Emerson Dias, atualmente no Salgueiro. No ano de 1999, foi cantor da Em Cima da Hora, com o enredo Horas... Eras de Glória... E outras histórias, que tinha como um dos compositores e consagradíssimo Claudio Russo (que foi o autor, junto com Moacyr Luz, do samba enredo da Tuiuti 2018 Meu Deus, Meu Deus...está extinta a escravidão?) e desenvolvido pelo também aclamado carnavalesco Alex de Souza, que fazia apenas o seu terceiro carnaval diante de uma escola de samba (atualmente, Alex é carnavalesco do Salgueiro). Naquele ano, a agremiação de Cavalcanti alcançou a sexta colocação no Grupo de Acesso A. 

No ano seguinte, quando duas agremiações ainda subiam para o Grupo Especial do carnaval, Tiãozinho Cruz e Alex de Souza (ao lado de Ernesto Nascimento), com o enredo Oswaldo Cruz: A  saga de um herói brasileiro conseguiram a terceira posição no Grupo devido ao quesito de desempate, pois somou os mesmos 195,5 pontos que a Tuiuti, que conseguira o acesso ao desfile de domingo. No ano seguinte, sem o intérprete e o carnavalesco, a Em Cima da Hora foi rebaixada ao Grupo de Acesso B. O intérprete passou um tempo só defendendo sambas em quadra, mas foi em 2002 que ele retorna à Sapucaí, agora como voz principal da União de Jacarepaguá. Com o enredo desenvolvido por Jorge Mendes Asas: sonho de muitos, privilégio pra poucos, tecnologia de todos, a Verde e Branco garantiu o seu 9º lugar no Grupo de Acesso A daquele ano. 


O ápice

Passou o ano de 2003 e logo veio 2004, quando eu mesmo ouvi a voz do intérprete direto do Setor 3 da Sapucaí, quando ele defendia a Acadêmicos do Cubango. Naquele ano, com o enredo Cubango é o shopping do mundo toma lá, da cá, desenvolvido por Roberto Reis e Antonio Sergio, a agremiação de Niterói surpreendeu, Tiãozinho deu um show de interpretação e o quinto lugar foi assegurado. No ano seguinte, o samba que eu considero que mais encaixou na voz do artista. Com o enredo O fruto da África de todos os deuses no Brasil de fé. Candomblé, o intérprete arrasou junto com a escola e com o desfile elaborado por Jaime Cezário (atualmente no Porto da Pedra). Sexta colocação. Pela agremiação niteroiense, o cantor ainda ficou nos anos de 2006 até 2008. Neste meio tempo, em 2007, Tiãozinho Cruz recebeu o Prêmio S@mba-Net de melhor intérprete do Grupo A. 

Tiãozinho Cruz (à esquerda) em 2012, no Império Serrano
 Foto: Divulgação Facebook
Em 2010, no retorno da escola para o Grupo de Acesso A, após a queda no ano de 2008, o retorno do intérprete foi confirmado no enredo desenvolvido por Milton Cunha: Os loucos da praia chamada saudade. A escola desfilou já com o dia claro, com muita empolgação e com a voz principal agraciada. A composição do samba daquele ano teve a participação de Diego Nicolau, intérprete da Renascer de Jacarepaguá. Porém, um estranho nono lugar assolou os niteroienses. 

No ano de 2012, Tiãozinho Cruz fez parceria com Freddy Vianna para cantar o samba de um dos enredos mais belos já realizados pelo Império Serrano: Dona Ivone Lara: O enredo do meu samba. O Reizinho de Madureira foi vice-campeão, perdendo por 0,3 décimos a primeira colocação, que ficara com a Inocentes de Belford Roxo.


Último trabalho na Sapucaí e novos ares...

No ano seguinte, foi um dos autores do samba da Unidos de Vila Santa Tereza e também o intérprete na nova formação do Grupo A do Rio. Porém, problemas técnicos com a agremiação a fizeram amargar um rebaixamento, mesmo com a bela obra escrita e interpretada por Tiãozinho Cruz. E foi em 2015 que ele retornou à União de Jacarepaguá, permanecendo lá até 2017. E, enfim, em 2019, o cantor será a voz principal do Botafogo Samba Clube, agremiação recém-fundada, que era a antiga Tupy de Brás de Pina, além também de ser o intérprete da Guerreiros de Jacarepaguá, também estreante no carnaval carioca no Grupo E, e que homenageará o carnavalesco campeão do Grupo Especial em 2018, Cid Carvalho, com o enredo Cid Carvalho: Guerreiro que é Guerreiro não foge à luta. 


Tiãozinho Cruz no Carnaval Virtual da LIESV

Tiãozinho também está no carnaval virtual. Já interpretou samba de três agremiações: Gaviões Imperiais, Bohemios do Samba e Cupincha de Campo Grande (campeã do Grupo Especial do Carnaval LIESV-2018).

Há tempos, como um grande fã de samba enredo e de bons intérpretes, aguardo ouvir a voz de Tiãozinho Cruz no Grupo Especial. O artista, seu timbre e tom de voz merecem mais destaque.

Então, confira abaixo como foi o bate-papo com este grande intérprete!




Nome: Sebastião Bento da Cruz.
Idade: 55 anos.
Filhos: 3 filhos.

Thiago Nabuco: Primeiramente, como foi para você receber o convite para estar à frente da voz do Botafogo Samba Clube?

Tiãozinho Cruz: Esse convite do Botafogo Samba Clube é um desafio pra mim. Vou defender esse pavilhão com muita determinação.
O intérprete estará à frente da Guerreiros de Jacarepaguá e
Botafogo Samba Clube, no Carnaval-2019 / Foto: Divulgação Facebook



TN: Qual foi o maior desafio que você enfrentou durante a trajetória no samba?

TC: Defender uma escola de samba é sempre um desafio. Portanto, cada ano é um desafio novo.



TN: De onde surgiu o seu maior bordão "Ah, que bonitinho!"?

TC: Esse lance de bordão/caco surge para mim de repente kkk.



TN: Quais agremiações do carnaval da LIESV (Liga das Escolas de Samba Virtual) você já defendeu? Já cantou em outro Estado do Brasil?

TC: A Gaviões Imperiais, em 2009, 2011 e 2012, Bohemios Samba Clube, em 2013 e Cupincha de Campo Grande, em 2014. Ainda não tive a oportunidade de cantar fora do Rio de Janeiro, mas pretendo.



TN: Qual foi o samba que mais gostou de interpretar em um desfile?

TC: Na minha carreira de cantor de samba enredo, tive a oportunidade de cantar grandes obras. Não vejo como escolher o melhor entre eles.



TN: Antes da Unidos de Lucas, em 1992, teve algum outro trabalho que você já realizava antes de estrear na agremiação?

TC: A Unidos de Lucas me deu a primeira oportunidade de pisar na Sapucaí. Mas, antes, comecei a minha carreira como cantor do bloco Azul e Branco de Olinda, de Nilópolis.



TN: Na Intendente Magalhães, sabemos que o clima é completamente diferente do que tem a Marquês de Sapucaí. Enquanto intérprete, qual é a maior dificuldade de cantar em Campinho que você pode destacar pra nós?
TC: A Intendente Magalhães tem seu charme...mas a maior dificuldade do intérprete é o som, que não é muito bom.

22 julho, 2018

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De Niterói, o Bem Amado conversou com o Olha a Crítica, e contou sobre a fundação da agremiação, diretoria, personalidades na escola, a Diretora de Bateria Priscila Oliveira - pelo terceiro ano à frente dos ritmistas, além do Diretor de Carnaval e Harmonia que é um dos diretores do Mestre Átila, na Acadêmicos do Sossego! Dá um confere na ENTREVISTA EXCLUSIVA!

O pavilhão da agremiação niteroiense / Divulgação Facebook
Suelen Fonseca é a diretora de barracão
 / Divulgação Facebook
Vou começar com uma narrativa curiosa: Uma adição no meu perfil no Facebook me despertou curiosidade. Eu era adicionado pelo G.R.E.S Bem Amado. Confesso que até ali, não havia ouvido falar da escola. Porém, checando informações e o próprio perfil (https://www.facebook.com/gres.bemamado.1) na rede social da escola de samba e mandando uma mensagem no privado, vi que ela era de Niterói. Assim, percebendo que eu pouco sabia sobre a folia niteroiense, decidi preparar esse material de entrevista. Fica o agradecimento ao G.R.E.S Bem Amado e a Ronald de Freitas, Diretor de Carnaval e Harmonia, também um dos diretores de Mestre Átila na Acadêmicos do Sossego (agremiação do Largo da Batalha que desfila no Carnaval Carioca, na Série A) que gentilmente foi prestativo desde o início, cedendo informações e fazendo a ponte com a diretoria para que as dúvidas pudessem ser esclarecidas e cedendo a sua história para o blog. MUITO OBRIGADO PELA ATENÇÃO!

Um resumo do Carnaval Niteroiense
Vocês conhecem o carnaval de Niterói? Ele já foi o segundo maior carnaval do Brasil! A festa carnavalesca que em 2018 foi realizada nos dias 12 e 13 de fevereiro é bem diferente do glamour vivido na Sapucaí. Na Rua da Conceição é onde ocorrem os desfiles, que neste ano contou com 29 agremiações distribuídas entre Grupo Principal, B e C.
Para quem não tem ideia de como é a estrutura dos desfiles niteroienses, imagine uma avenida muito parecida com a Intendente Magalhães, no bairro do Campinho, no Rio de Janeiro, e com maior interação público-escola de samba.

Atualmente, temos três agremiações que faziam parte da festa carnavalesca em Niterói, porém, decidiram se filiar ao carnaval da capital fluminense e desfilarem na Intendente Magalhães/Sapucaí. O Acadêmicos do Cubango, Acadêmicos do Sossego e Unidos do Viradouro. Aliás, quando as três potências de Niterói saíram do carnaval local, houve esvaziamento e, como consequência, paralisação dos cortejos. Somente em 2006 a cidade vizinha ao Rio de Janeiro retornou com as atividades da maior manifestação cultural, política e social que existe no mundo.O G.R.E.S Bem Amado foi campeão do Carnaval-2017, tendo direito de desfilar no Grupo Principal, Abaixo, a ENTREVISTA EXCLUSIVA:
O presidente da G.R.E.S Bem Amado,
 Sr. Luiz Alberto / Divulgação Facebook

Thiago Nabuco: Conte um pouco da história do G.R.E.S Bem Amado para o Olha a Crítica.

G.R.E.S Bem Amado: A escola foi fundada no dia 10/10/1978, e está localizada em Niterói (São Francisco-Grota). É uma agremiação humilde e bastante popular em Niterói, que no ano de 1978 surgiu como bloco de amigos e logo após engrenou como escola.



TN: Já houve alguma personalidade conhecida do carnaval carioca que já integrou a G.R.E.S Bem Amado?

G.R.E.S Bem Amado: Temos orgulho em dizer que o renomado carnavalesco Alexandre Louzada já passou pela escola.



TN: Já tem projeto para o enredo de 2019?

G.R.E.S Bem Amado: Ainda está em processo de construção do Carnavalesco Beto com o diretor de Carnaval Ronald Freitas, junto do patrono Sr. Luiz Alberto, o enredo ainda esté em desenvolvimento. O que podemos dizer é que iremos valorizar as preciosidades de nossa comunidade aqui na Grota, onde temos bastante histórias boas para serem exploradas e, com certeza, iremos fazer isso.


A Diretora de Bateria
Priscila Oliveira:
3 anos com notas máximas
 no quesito! / Divulgação Facebook



TN: Há quanto tempo a Diretora de Bateria Priscila Oliveira está à frente dos ritmistas do Bem Amado?

G.R.E.S Bem Amado: Ela está indo para o terceiro ano à frente dos ritmistas. Nos dois últimos carnavais, inclusive, obteve notas máximas no quesito.



TN: Vocês têm dificuldades para colocar o carnaval na rua, tendo em vista que, normalmente, agremiações de grupos que não são o principal sofrem com isso?

G.R.E.S Bem Amado: O Carnaval de Niterói é um Carnaval de superação, e todas as escolas que conseguem passar na rua da Conceição, com certeza podem se achar uma vencedora, pois não é fácil, dificuldade a todo tempo. Além da subvenção ser reduzida, o dinheiro chega muito próximo do dia do carnaval, e assim vêm as dificuldades para se realizar um bom desfile com tão pouco tempo. Mas, mesmo com todos os problemas, a escola todo ano faz um bom desfile, sempre com respeito, humildade e muito profissionalismo.



TN: Em relação a barracão, as agremiações de Niterói têm locais apropriados para a confecção do carnaval da cidade?

G.R.E.S Bem Amado: As agremiações de Niterói mesmo com toda dificuldade, tem um barracão onde ficam todas as escolas do Carnaval de Niterói.

Alessandra Barboza é a Rainha de Bateria da agremiação / Divulgação Facebook
TN: Qual é a liga que dirige os Grupos A, B e C do carnaval niteroiense?

G.R.E.S Bem Amado: A nossa escola é afiliada a LESNIT, presidida por Carlos Xororó, e se encontra hoje no Grupo B do carnaval Niteroiense.



N.E: A LESNIT (fundada em 20 de março de 2017) surgiu de uma dissidência com a UESBN (União das Escolas de Samba e Blocos de Niterói), pela insatisfação com os resultados do Carnaval-2017 e com o objetivo de valorizar os desfiles locais, tendo em vista que algumas agremiações corriam risco de enrolar a bandeira. De 29 afiliadas à antiga liga, 21 romperam para a formação da nova entidade carnavalesca, buscando também amparo judiciário e contábil. O Bem Amado foi uma delas.


Polivalente: Diretor de Harmonia e Carnaval
Ronald Freitas
também é ritmista e diretor de Mestre Átila,
 no Sossego / Divulgação Facebook






TN: O carnaval da Rua da Conceição é parecido com o da Intendente Magalhães, onde desfilam os Grupos B, C, D e E?

G.R.E.S Bem Amado: É parecido com a Intendente Magalhães, sim! É um clima muito legal, até porque as arquibancadas ficam muito próximas da pista de desfile. É muito legal a interação do público com as escolas.


TN: Ronald Freitas, Diretor de Harmonia e Carnaval do G.R.E.S Bem Amado, conta aqui pro Olha a Crítica desde quando você está inserido no universo carnavalesco?

G.R.E.S Bem Amado: Então...eu estou no mundo do samba desde o ano de 2009 pela minha escola de coração, Acadêmicos do Sossego, onde no meu primeiro ano fui campeão. Sempre fiz parte da bateria, sempre fui ritmista. Em 2017, fui para o G.R.E.S Souza Soares (8º colocado naquele ano), que também desfila em Niterói, sendo que no grupo principal do carnaval niteroiense, onde fiz parte da direção da escola. Com o trabalho que fiz na agremiação, o presidente do Bem Amado, o Sr. Luiz Alberto, gostou do que foi feito por mim, e ele me fez um convite de estar na escola para o Carnaval de 2019. Sem pensar duas vezes, aceitei o desafio.
Beto é o carnavalesco da escola
/ Divulgação Facebook




Confiram a ficha completa da diretoria da agremiação:

Composição do G.R.E.S Bem Amado

Presidente: Luiz Alberto

Carnavalesco: Beto

Diretor de Carnaval: Ronald Freitas

Diretor de Harmonia: Ronald Freitas

Diretora de Barracão: Suelen Fonseca

Direção de Bateria: Priscila Oliveira

Rainha de Bateria: Alessandra Barboza

Direção de Passistas: Rômulo Doring


Rômulo Doring é o responsável pela ala de passistas do G.R.E.S Bem Amado / Divulgação Facebook







03 junho, 2018

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Sem comparação! Conheça mais sobre o intérprete, o seu estilo e elegância, e o trabalho artístico em paralelo ao samba-enredo. Saiba como foi a reação do cantor ao receber o convite da Vizinha Faladeira, as suas experiências fora do carnaval carioca e como os seus gritos de guerra se transformaram na sua marca registrada. É EXCLUSIVA!

O mercado do carnaval segue agitado. E desta vez é no Grupo B da LIESB. Anderson Paz, de voz inconfundível e que integrou o carro de som da Tricolor da Baixada, a Inocentes de Belford Roxo, com Ricardinho Guimarães, é o novo intérprete oficial da Associação Recreativista Escola de Samba Vizinha Faladeira.

Foto: Divulgação Facebook Anderson Paz

Início de carreira
Anderson Paz teve seu início de carreira ainda na região onde foi criado, no Complexo da Maré, no bloco Mataram Meu Gato, que hoje é a atual agremiação G.R.E.S Gato de Bonsucesso, na Nova Holanda, e fez parte de grupos de pagode com grandes intérpretes do samba-enredo carioca - Rixa, Carlinhos de Pilares, Dedé da Portela, Celino Dias, etc). Já no final da década de 90, ele compôs o carro de som da Portela e, no ano de 2000 foi contratado pela Sociedade Recreativo Escola de Samba Lins Imperial. Desta forma, foi vencedor do Prêmio S@mba-Net como o melhor cantor do Grupo B.





Seu talento chamou atenção. A São Clemente, agremiação que em 2001 disputava lugar para subir ao Grupo Especial e que revela/projeta muitos profissionais do mundo do samba, o chamou para ser intérprete oficial, onde permaneceu até 2004. Em 2005, Anderson Paz foi para a Acadêmicos da Rocinha, sendo campeão com o enredo Um mundo sem fronteiras, no Grupo de Acesso A, e em 2006, quando a Rocinha voltava ao Grupo de elite do carnaval carioca após 10 anos. Porém, em 2007, o intérprete se transferiu para a Estácio de Sá para cantar o enredo reedição de O Ti-ti-ti do Sapoti. Retornou à Borboleta Encantada de São Conrado em 2008, continuou em 2009, mas o seu destino em 2010 foi o Paraíso do Tuiuti, no enrendo Eneida, o Pierrot está de volta!. Também teve passagem pelo Unidos do Peruche, no carnaval de São Paulo, Mocidade Louca, de Campos, Unidos da Saudade, de Nova Friburgo. Seus últimos trabalhos foram no Porto da Pedra, de 2014 até 2017, onde brilhou com a sua voz.


ABAIXO, A ENTREVISTA EXCLUSIVA QUE O INTÉRPRETE ANDERSON PAZ CEDEU GENTILMENTE AO BLOG "OLHA A CRÍTICA!"

Thiago Nabuco: Como foi a sua reação ao receber o convite da Vizinha Faladeira?

Anderson Paz: Foi legal! Fiquei emocionado, porque os meninos que estão à frente da escola hoje, eu vi começando no samba! Quando eu os conheci, eles eram novinhos na bateria! E somos todos amigos de bairro! Não sou cria do Santo Cristo, mas no tempo que frequento o bairro passei a gostar muito daqui ! Minha esposa atual é criada no bairro e tenho filhos com ela. Minha vida passou a ser aqui, né! Quando eles , o presidente e amigo Davi e o Marquinhos me convidaram, eu não esperava. Geralmente, os amigos se acostumam muito com a gente perto, né...então percebemos o quanto eles nos valorizam ou não! É aquele velho ditado: Santo de casa ....mas tô feliz! Muitos, de repente, nem entendem isso, porque se acostumam a nos ver na Série A ou no Especial. Mas considero a Vizinha uma grande escola, independente do grupo, inclusive na questão financeira! Claro que nós profissionais queremos ganhar bem e cantar numa escola de ponta. Mas o carnaval da Série A e do Especial estão passando por um momento muito conturbado. De dois anos pra cá, tudo muito incerto! Isso deixa todos muito preocupados.


TN: O que te inspirou a adotar o grito de guerra “Sem comparação”? Foi pensado, ou saiu por acaso e agora é a sua marca?

AP: Uma delas. Foi em São Paulo, quando cantei na Unidos do Peruche. “Sem comparação! O meu Pavilhão é só emoção”. Aí, achei que ficou legal e vim fazendo. Mas o “Seguraaiiiiiiiiiiii” e o "Salve as crianças” todos gostam.


TN: Por razões pessoais, você teve de se afastar do Carnaval por um período. Como foi tomada a sua decisão de que já poderia retornar?

AP: Sim! Me afastei por motivos religiosos e pessoais! Estava me separando da minha ex- esposa, fiquei muito chateado psicologicamente. Um ano antes havia passado por problemas profissionais, quando saí da Acadêmicos da Rocinha e fui pro Império Serrano. As coisas acabaram não dando certo por lá. Fiquei quase de fora do carnaval em 2010. O Thor, era presidente da Tuiuti e me chamou para ir pra lá. Juntando separação, mudanças de escola e problemas emocionais, profissionais, logo mexe com o nosso espiritual também, né. Foi que quando voltei pra Rocinha, e nem permaneci. Entreguei o cargo no palco da escola porque me converti ao evangelho,e aceitei (recebi) Jesus Cristo,  abandonei o samba e o carnaval. E, sinceramente, não ia voltar mais! Um ano depois, um irmão da igreja quem conversou comigo, e me orientou a voltar a trabalhar com que eu gosto, que é cantar, a música! Depois de muitas orações para não fazer as coisas de qualquer jeito, voltando, fui convidado por duas escolas, Em Cima da Hora e Unidos do Porto da Pedra. Fui pra Porto, onde fiquei durante 4 anos. Hoje sou evangélico e faço o meu trabalho de cantor de Samba Secular Não canto só nas escolas, também tenho um CD solo de pagode que, inclusive, eu já tinha gravado antes de ir pra igreja.

NE: Confira a faixa Na Lei da Razão, do álbum do intérprete chamado Referência >>> https://www.youtube.com/watch?v=axntfJGSPVQ&t=1s <<<


TN: Já teve que mudar muito o seu tom ou estilo de cantar em alguma agremiação?

Anderson Paz, nos tempos de São Clemente / Foto: Sambariocarnaval
AP: Não! Isso vai de acordo com o trabalho que cada escola tem. Cada escola tem as suas características, sua marca, cultura, etc. E eu busco respeitar isso. Hoje faço um trabalho além de intérprete, não só de subir ao palco pra cantar. Me comunico mais com a escola, interajo mais com a comunidade, com o público, com os torcedores e fãs da escola. Faço um trabalho de acordo com o samba escolhido, procurando imprimir um canto forte, juntamente com a comunidade e os  componentes! Todos sabem que, apesar das escolas serem coirmãs, há uma disputa em questão. Por isso busco incentivar, levantar a autoestima nos ensaios da escola, rumo à vitória, ao campeonato.



TN: Existe diferença entre cantar no Carnaval de São Paulo e no do Rio?

AP: De certa forma, sim. Foi o que falei, a cultura...apesar de ser samba, carnaval, eles fazem carnaval de uma forma diferente. Hoje, já está até mais profissional, pois muitos dirigentes e diretores vem aprender e buscar assessoria no carnaval do Rio! Aqui, no Rio, o carioca gosta da cultura samba e carnaval. Lá são poucos que gostam e desfilam. Uma parte não liga para o samba e o carnaval. A verba, por exemplo, é bem menor que no Rio. Os direitos autorais de samba enredo também. Os salários de componentes contratados, como interprete, diretor de bateria, Mestre-Sala e Porta-Bandeira, etc, é bem mais baixo, até por causa da verba. Mesmo sendo carnaval, o clima também é diferente. Fui cantor da Unidos do Peruche em 2012 e, para fazer o componente se soltar, evoluir e cantar, foi preciso interagir mais do que aqui, no Rio! Lembro que quando fui intérprete naquele ano, o Peruche estava no Grupo de Acesso e, no entorno do Anhembi, não tinha ninguém, muito vazio! Só havia os desfilantes das escolas daquele dia. Enquanto aqui, o centro da cidade e todos os lugares  ferve com os desfiles das escolas, coretos e blocos em todos os dias da semana do carnaval. Agora, de uns 3 anos para cá, que São Paulo tem aderindo aos blocos de rua.


TN: Como foi a sua experiência no Carnaval de Campos e de Nova Friburgo?

AP: As experiências são boas, mas é sempre bom frisar que, quando vamos fazer um trabalho fora do Rio, vamos nos deparar com pessoas que são desses lugares, e lidamos com culturas diferentes. As opiniões se dividem muito. Tem lugares em que somos muito bem recebidos, muitos dizem que são fãs, etc. Acho que isso depende muito do desenvolvimento do trabalho que iremos fazer nos lugares. Em Campos (2015) foi muito bom. Inclusive, fui contratado para o próximo carnaval de lá, que seria agora nesses meses, mas acho que não haverá carnaval lá esse ano. A escola é a Mocidade Louca, do presidente Jorginho de Ogum. Em Friburgo foi na Unidos da Saudade, em 2015. Fizemos um desfile lindo. Independente de qualquer coisa, é sempre bom levar nossa experiência para outras cidades. Esse ano fui campeão do carnaval de Três Rios, na G.R.E.S Bom das Bocas.


TN: Você foi um dos primeiros intérpretes que “renovou” o design dos trajes dos cantores, como, por exemplo, na São Clemente, quando vestia terno amarelo e preto, porém, em quadriculados, losango, estrelas e etc, rompendo com a formalidade dos ternos. Hoje, muitos cantores até vem completamente fantasiados. Você acha esse crescimento importante?

Anderson e sua filha, Maria Luisa , no Porto da Pedra-2017/ Foto: Sambarazzo
AP: Sim! Inclusive, nos últimos anos, na Porto da Pedra, desfilei bem à vontade, combinando com o enredo. Mas isso tudo começou porque na Estácio eu passei mal e ninguém sabia disso! Nem minha ex-esposa, que desfilava sempre comigo. Só percebeu no fim do desfile. Estava muito calor em 2007 e o terno era de um tecido muito grosso, passei muito mal, mas não podia deixar o microfone cair, né kkkkkkkkkkkkkkkkk. E fui cantando mais pausado, mas fui até o fim. Ufa! Sempre fui muito vaidoso, acho que um dos mais elegantes, assim diziam. Quando comecei, na década de 90, na Portela, eu sempre mandava fazer as minhas roupas em alfaiate, nem era oficial, mas gostava de chagar bonito, só usava linho! Aqui, no Rio, isso mudou muito. Os intérpretes sobem no palco até de camiseta sem manga. Em São Paulo, os cantores são mais tradicionais. Usam sobretudo e ternos, sapatos de couro bonitos, porque, além disso, lá faz muito frio.


TN: Existe diferença entre cantar um samba na quadra e no dia do desfile?

AP: Há uma diferença entre avenida e quadra. Na quadra, procuro cantar bem, com boa dicção, sem muitos cacos. Na Avenida, aí sim! O canto é com mais garra.