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02 agosto, 2018

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Em meio às tentativas de garantir uma área habitável para as escolas de samba da Série A, fica cada vez mais evidente como a cultura popular vem sendo excluída. Corte de verbas, incêndios, reintegração de posse da prefeitura e, agora, uma agremiação mais uma vez perde seu espaço de produção, agora não pelas mãos da prefeitura, mas do capital privado. Veja o histórico recente de acidentes


Foto: Reprodução
Foto: Reprodução
É inacreditável! Não basta os incêndios recentes no barracão do Porto da Pedra, do Império da Tijuca e da Renascer de Jacarepaguá para se investir no Carnaval. Mais uma vez a cultura carioca vai perdendo espaço para uma ilusória "expansão comercial". Nesta quinta-feira, dia 2 de agosto de 2018, a última vítima da negligência do poder público foi a G.R.E.S Inocentes de Belford Roxo, agremiação que foi a quarta colocada na Série A com o enredo Moju, Magé, Mojubá, teve uma péssima surpresa. Ela recebeu uma ordem de despejo da área em que fabricava suas alegorias e fantasias, na Zona Portuária do Rio de Janeiro. O espaço foi adquirido por uma empresa privada (de nome que ainda não é do meu conhecimento) e teve a presença da Polícia Militar para a entrega da ordem - veja nas imagens ao lado do texto.

Veja mais: [CRÍTICA] Descaso da prefeitura, incêndio e despejo: um "presente" para o samba. Confira no link a rotina de incêndios que assola as agremiações que não são privilegiadas com uma Cidade do Samba

Histórico recente de incêndios:

- Acadêmicos do Cubango: Em 31/8/2015, a bola da vez foi a escola de Niterói a sofrer com incêndio. A versão do acidente foi que o fogo se alastrou por uma área de mata próximo ao barracão. Algumas instalações tiveram de ser reparadas.

- Renascer de Jacarepaguá: Em 28/6/2017 foi constatado o incêndio no barracão da agremiação da Zona Oeste, à noite. Curiosamente, em menos de 2 meses, o local voltou a pegar fogo no dia 10/8, durante a tarde.

- Império da Tijuca: No dia 2/5/2018 a antiga fábrica de alegorias do Imperinho também foi alvo do fogo. Foi dito, a princípio, que a utilização de um morteiro por moradores de rua nos arredores do local havia causado o incêndio. As prejudicadas foram a Unidos da Ponte e a Lins Imperial, da Série A e Grupo B, respectivamente, que abrigavam suas alegorias no barracão.

- Porto da Pedra: Em 24/7/2018 o barracão do Tigre de São Gonçalo foi destruído e a agremiação terá seu desfile comprometido caso não consiga receber algum tipo de ajuda das coirmãs, tendo em vista que a prefeitura só distribui subsídios a seus companheiros de esquema. O presidente da escola acredita em incêndio criminoso. Enquanto O São Gonçalo pontua que a área pode ter sido vítima de ações da Máfia dos Ferros-Velho, que também estaria envolvida nos incêndios do barracão da Alegria da Zona Sul, em 2011 (no enredo Os doze obás de Xangô, que tinha um lindo samba), causando prejuízo de cerca de 250 mil reais, além do incêndio no local pertencente à Acadêmicos do Sossego. Leia aqui sobre a tal Máfia. O Tigre perdeu 3 alegorias.

Afinal, quando teremos segurança para podermos curtir o nosso Carnaval em paz, sem retrocesso, sem a prefeitura ditando as regras da festa? Parece que fica cada vez mais distante o sonho de ver a estrutura do carnaval sólida, com mais instalações fixas que improvisadas. Por exemplo, a Cidade do Samba 2, especulada na gestão Eduardo Paes como prefeito da cidade, voltou à pauta.

A LIERJ, entidade que dirige a Série A, presidida por Renato Thor - mandatário da Paraíso do Tuiuti, vice campeã do Carnaval-2018 - protocolou o pedido de cessão de um terreno baldio na Avenida Brasil. Porém, somente algumas agremiações poderiam começar as suas atividades para 2019 neste espaço (Alegria da Zona Sul, Inocentes de Belford Roxo, Acadêmicos de Santa Cruz e Acadêmicos do Sossego). Enquanto isso, não sei se no mesmo terreno ou em algum outro próximo, já é possível visualizar ao menos uma alegoria da Vermelho e Branco de Copacabana na Avenida Brasil, exposto ao tempo e a depredações de mal intencionados. Abaixo, a foto do terreno
O terreno que possivelmente será cedido à construção da Cidade do Samba 2, destinada às agremiações da Série A do Carnaval Carioca / Foto: Reprodução Google Maps

30 julho, 2018

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Agremiação recebeu 10 composições para os cortes de samba para o Carnaval 2019. Já ouviram? Então se liga aí e ouça as faixas!

No último domingo (22/7) a Unidos de Bangu recebeu seus compositores com suas respectivas obras para apresentação. O evento-show contou também com a presença da Rainha Lexa, além do Grupo Sambarasso e bateria da Mangueira. Dez sambas foram entregues ao departamento da Unidos de Bangu. Com o enredo Do ventre da terra, raízes para o mundo, a agremiação do bairro homônimo foi a 12ª colocada no Carnaval 2018, carregando consigo um dos melhores sambas da Série A, com o enredo A travessia da Calunga Grande e a nobreza negra no Brasil.
Unidos de Bangu ensaiando / Foto:Vivian Campos

Carnaval 2019
Grandes nomes e grandes vencedores como a parceria de Samir Trindade, André Kaballa & Cia, e Diego Nicolau com Lucas Donato & Cia, são fortíssimas candidatas na disputa. Todos estão mais que acostumados a chegarem nas finais dos cortes de samba nas agremiações em que escrevem suas obras, vencendo em grande parte delas. Quem garante que a disputa será boa é o Diretor de Carnaval da Unidos de Bangu, Jeferson Carlos, dizendo que a Vermelho e Branco terá um grande hino para o desfile do ano que vem.

- A disputa será boa. Além de dez boa composições, a disputa terá será dinâmica, com semifinal e final. Vai aumentar a competitividade sadia entre as parcerias e quem sai ganhando é a escola que, com certeza, terá um grande samba para o próximo carnaval - disse Jeferson Carlos.

A semifinal da disputa na Unidos de Bangu será realizada no dia 1ª de setembro, sábado, às 21h. Enquanto a final ocorre na quinta-feira, dia 6 do mesmo mês, véspera de feriado! Dá pra ir lá prestigiar!  O endereço é: Rua Francisco Real, 1445, Bangu (Piscina do Bangu A.C).
ABAIXO, LETRA E SAMBAS DOS AUTORES!!! Clique no link com os nomes das parcerias para ouvir e na imagem para ampliar a letra

Ficha técnica Unidos de Bangu:
Presidente: Thiago Oliveira
Vice-presidente: Rafael Marçal
Presidente de Honra: Sandro Avelar
Diretor de Carnaval: Jeferson Carlos 
Diretor de Harmonia: Alexandre Carlos
Carnavalesco/Direção Artística: Alex de Oliveira e Edson Pereira
Mestre de Bateria: Mestre Léo Capoeira


























16 julho, 2018

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Na Piscina do Bangu, agremiação promove feijoada pra receber os compositores e suas obras. A Rainha Lexa confirmou presença, além do show da Mangueira e do Grupo Sambarasso


A Rainha Lexa também receberá os compositores / Foto: Magaiver Fernandes
A Unidos de Bangu se prepara para o Carnaval de 2019. A Vermelho e Branco, que retornou às atividades carnavalescas no cano de 2013, alcançando já em 2015 a chance de desfilar na Sapucaí, pela Série A, e retornando à ela em 2018, promove neste domingo (22/7) uma feijoada para o recebimento das obras dos compositores para o desfile do ano que vem. A festa também contará com a presença da Rainha de Bateria Lexa, que estará pelo segundo ano consecutivo à frente da bateria comandada por Mestre Léo, na agremiação desde julho de 2017, e que também irá para a sua segunda participação com a escola na Sapucaí.

Segundo o Diretor de Carnaval e Harmonia, Jeferson Carlos, existe a expectativa de grandes obras serem apresentadas na feijoada de domingo.

Foto: Claudio Mello Cholodovskis
Esperamos contar com um número maior de parcerias em relação ao ano passado, quando foram 15 na disputa, com a certeza de que todas virão fortes para ganhar. Este domingo marcará o início de nossa caminhada e será uma linda festa com a participação e empenho de todos os envolvidos - afirmou o diretor.

Em 2018, a Unidos de Bangu foi a 12ª colocada na Série A do Carnaval carioca. O enredo foi A travessia da Calunga Grande e a nobreza negra no Brasil, desenvolvido por Cid Carvalho. Por sinal, foi um dos melhores sambas do grupo, interpretado por Thiago Britto e Leandro Santos. Para 2019, a agremiação do bairro homônimo trará o tema Do ventre da Terra, raízes para o mundo, que será elaborado pela dupla Edson Pereira (que também assinará o carnaval da Vila Isabel no Grupo Especial e foi campeão com a Viradouro em 2018, na Série A) e Alex Oliveira, que já desenvolveu carnavais à frente da Acadêmicos da Rocinha. 

CLIQUE AQUI e confiram o post sobre a chegada da dupla Edson Pereira e Alex Oliveira na Unidos de Bangu!

E a feijoada ainda terá um toque refinado. Raul Novaes, super conceituado e premiado com o título de Feijoada Nota Dez, a Feijoada da Bangu será neste domingo, dia 22, com horário de início previsto para as 13h, na Piscina do Bangu. Você pode adquirir a sua entrada antecipada com o valor promocional de R$20,00 e terá direito a um prato de feijoada, além de um copo promocional!!! Abaixo, o esquema com valor, data e endereço.



SERVIÇO: Feijoada da Bangu com Show da Mangueira e presença da Rainha Lexa
DATA: 22/07/2019 (Domingo)
LOCAL: Rua Francisco Real, 1445 - Bangu/RJ (Piscina do Bangu)
HORÁRIO: 13h
ATRAÇÕES: Estação Primeira de Mangueira, Segmentos da Bangu e Grupo Sambarasso
VALOR: R$20 (Entrada+Feijoada+Copo)
CLASSIFICAÇÃO: 14 anos

Divulgação Unidos de Bangu




14 junho, 2018

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Após perder Leléu para o Império Serrano, a Borboleta Encantada fecha com o intérprete campeão com a Mangueira em 2016

Demorou, mas chegou. E em alto estilo. A Acadêmicos da Rocinha contará oficialmente com a voz de Ciganerey para o carnaval 2019. Filho de porta bandeira da ex-Caprichosos (Neusinha) e sobrinho do compositor Antônio Silva, do Acadêmicos do Engenho da Rainha, veja abaixo mais sobre o excelente cantor.

Como relatado no site em 25 e 27 de março (confira AQUI as dispensas da Mangueira, cujo intérprete também foi embora junto com o mestre de bateria, e também AQUI, sobre a substituição do cantor por Marquinho Art'Samba), o Ciganerey ficou sem agremiação. A principio, poucas especulações sobre o seu futuro na mídia do carnaval. Mas o novo endereço de Paulo Roberto da Silva será na Rua Bertha Lutz número 80.

A carreira

Foto: Divulgação
Porém, em 2001, Ciganerey já tinha estrada e um currículo grande no carnaval. Seu início se deu em 1984, no Acadêmicos do Engenho da Rainha. À época, ainda era chamado de Paulinho Melodia no mundo do samba. No Grupo 1B, a agremiação conquistou a quinta colocação no extinto Grupo 1B.
Permaneceu no Engenho até 1993 e, em 1994, foi parar na Unidos do Cabuçu, do bairro do Lins, antes de retornar à agremiação que o revelou, de 1995 até 1998.
Em 1999, o intérprete foi contratado pelo Paraíso do Tuiuti e foi nesta época que o nome Ciganerey surgiu (após uma sessão de numerologia com a mãe de santo do terreiro que frequentava), que significa o rei dos ciganos. E foi em 2001 que o cantor teve maior projeção, cantando na estreia da agremiação de São Cristóvão no Grupo Especial. 
No ano de 2003, retorno ao Engenho da Rainha e um quarto lugar no Grupo C. Nos dois anos seguintes Ciganerey voltou ao Paraíso do Tuiuti, sendo também voz de apoio no carro de som da Beija-Flor.

Os Três Tenores da Mangueira

Em 2010, Ciganerey fechou o seu primeiro contrato com a Estação Primeira de Mangueira para o lugar de Rixxah no projeto mangueirense. Então compôs o carro de som com o saudosíssimo Luizito e Zé Paulo Sierra, que havia cantado nos desfiles de Caprichosos e Arranco do Engenho de Dentro no antigo Grupo de Acesso A. Naquele ano foi alcançada a sexta colocação naquele carnaval. O projeto dos Três Tenores da Mangueira continuou em 2011, quando a escola foi a terceira colocada. 

Do rebaixamento ao campeonato

O intérprete em 2013 cantaria na União de Jacarepaguá com Tiganá (atualmente na Unidos da Ponte, recém-promovida à Série A), mas não fez parte da agremiação. Fechou contrato com a Inocentes de Belford Roxo, no enredo O Triunfo da América - O canto lírico de Joaquina Lapinha. Ainda havia sido especulado o seu nome para cantar a reedição Os Sertões, na Em Cima da Hora, naquele mesmo ano, mas ficou mesmo na Cidade do Amor. Somente em 2015 Ciganerey foi para a agremiação de Cavalcanti, naquele fatídico ano em que a escola foi rebaixada por vir quase que completamente sem fantasias, devido à falhas amadoras da diretoria. Porém, em 2016, o cantor foi contratado pela Mangueira (devido à morte de Luizito, pois ele já havia acertado retorno ao Paraíso do Tuiuti, gravando até mesmo a versão do samba oficial no CD) para ser voz única no carro de som da Verde e Rosa. Com o assombro do rebaixamento que bateu à porta da sua quadra em 2015, após um 11º lugar lamentável, e apostando em um dos atuais melhores carnavalescos do Rio, Leandro Vieira, a Estação Primeira foi campeã com esse time. 


Premiações no carnaval carioca

Ciganerey já teve algumas conquistas individuais na sua carreira artística. Já em 1990 ganhara o Estandarte de Ouro como compositor. Ganhou prêmio de Melhor Intérprete do S@mbanet pelo Grupo de Acesso A, na Tuiuti, nos anos de 2000 e 2005. No ano de 2010, mais um prêmio como melhor cantor pelo S@mbanet, mas pelo Grupo B, com o Arranco do Engenho de Dentro. E em 2016, campeão pela Mangueira, recebeu como Melhor Intérprete também, mas pelo Tamborim de Ouro e Gato de Prata.



Fora do Rio de Janeiro

Longe da Cidade Maravilhosa, Ciganerey também realizou alguns trabalhos. Em 2010 foi voz junto com Vander Salles no carnaval de Porto Alegre, pela escola Academia de Samba Praiana. No carnaval da capital Sul-riograndense, também fez parte da Samba Puro. E em 2014, mas no carnaval de Uruguaiana, o intérprete cantou na Deu Chucha na Zebra, no enredo Sucatas.

Acadêmicos da Rocinha

Para 2019, o intérprete cantará o enredo Bananas para o Preconceito, do carnavalesco campeão da Série A em 2013, em seu ano de estreia. A Borboleta Encantada será a terceira agremiação a desfilar na sexta-feira de carnaval, pela Série A.

30 maio, 2018

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Agremiações que foram expulsas pela prefeitura ainda buscam um teto para abrigarem seus barracões. Espaço na Avenida Brasil pode ser a solução. Porém, o terreno já tinha previsão para ser usado para outras manifestações culturais

No post anterior do blog, eu comentava justamente sobre a questão das escolas de samba da Série A do carnaval carioca ficarem sem seus barracões, devido à operações da prefeitura para as obras na Zona Portuária da cidade. Confira AQUI um apanhado do descaso e negligência das prefeituras do Rio. Esse despejo, inclusive, rendeu apelo dos presidentes Reginaldo Gomes (Inocentes de Belford Roxo), Marcos Vinícius de Almeida (Alegria da Zona Sul) e Zezo (Santa Cruz). 

Enquanto as promessas que os sambistas ouvem desde 2011, quando o então prefeito da cidade, Eduardo Paes, havia levantado a hipótese da construção da Cidade do Samba 2, que abrigaria as agremiações da Série A do carnaval, uma solução para o descaso do poder público com a cultura carioca pode estar tomando forma. Na semana passada, mais precisamente no dia 25 de maio, a LIERJ (Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro), diante dos despejos que ocorreram nos antigos barracões, solicitou à RioTur que o terreno próximo à antiga fábrica Sabão Português, na Avenida Brasil, em Benfica, onde era a Rheem Química, na Rua Prefeito Olympio de Melo 721. Assim, no espaço requisitado com 5 mil metros quadrados, a intenção é com que este local se torne a Cidade do Samba 2, tão especulada desde que o ex-prefeito jogou a ideia no ar e deixou todos só na saudade.

– A Cidade do Samba 2 é um sonho que temos há seis anos. Estamos montando um projeto pra este terreno e, assim que ficar pronto, vamos apresentar pra prefeitura – revelou Renato Thor, presidente da LIERJ.


Alegoria da Alegria da Zona Sul já no novo local / Foto: Guito Moreto/Agência O Globo


Manifestações ignoradas

O terreno, inclusive, aproveitando a deixa das prefeituras de negligenciarem e não investirem nada em cultura, educação e cidadania, seria utilizado para o projeto "Escola da Rua", batizado carinhosamente de "Funkódromo", onde seriam realizadas oficinas de grafite, DJs, MCs e dançarinos, hip hop, funk e outras manifestações urbanas. Este espaço havia sido demolido pelo poder público em setembro de 2012, mas nunca foi utilizado para estes fins. Tira-se de um lado (que mal tem)para dar para outro. 

Segundo a LIERJ, apenas a Acadêmicos do Cubango e a Unidos de Padre Miguel são donas dos seus respectivos barracões na Série A, o que deixa a situação das demais coirmãs temerária.

Resta, a quem acompanha o carnaval, aguardar a boa vontade dos nossos gestores e torcer para que a promessa saia do papel. Enquanto há 12 anos somente uma pequena parte goza de ótima estrutura, outras são expulsas de suas casas, ou mal tem onde começar a montá-la, no caso das agremiações da Intendente Magalhães.

Em nota, a entidade reguladora da Série A se manifestou acerca do assunto:


A diretoria da Lierj esteve reunida durante esta semana com o presidente da Riotur, Marcelo Alves, e, entre diversas pautas, voltou a falar sobre a importância da Cidade do Samba 2 para as escolas de samba da Série A. A conversa foi bastante produtiva e o presidente prometeu abraçar a causa, prontificando-se a viabilizar a cessão de um terreno localizado na Avenida Brasil para que o projeto tão sonhado seja iniciado.


Fontes: Sambarazzo e O Globo

23 maio, 2018

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Agremiações pagam o preço da falta de incentivo à cultura na cidade. Prefeitos ignoram problemas de segurança dos barracões e permitem que vidas fiquem expostas ao risco; Agremiações da Série A ficam sem teto.

Desvalorização da cultura carioca, falta de suporte no decorrer do ano às escolas de samba, negligência com os barracões das agremiações, atraso no repasse de verba, corte de verba. É desta forma que o carnaval tem se mostrado o objeto de menor importância para as secretarias de cultura da cidade do Rio de Janeiro, ao menos, desde o final da década de 90, quando comecei a acompanhar os festejos carnavalescos. 

Na eleições municipais, um monte de candidatos pedem voto nas quadras das escolas de samba, ou então quando o locutor anuncia, por exemplo "Sr. Deputado Julio Lopes" ou "Sra. Deputada Cristiane Brasil", falando de forma fictícia, em algum evento na quadra de alguma agremiação. A promessa de um carnaval melhor, mais estruturado, que tenha envolvimento maior do poder público para que o espetáculo seja ainda mais gigantesco, fica só no discurso. Entretanto, o que sentimos é o constante sucateamento do carnaval do Rio de Janeiro.

Duas alegorias da União da Ilha e, ao fundo, fumaça do fogo controlado / Foto: Gazeta do Povo
O desmonte recente do carnaval carioca teve o seu pico em 2011, quando houve o incêndio na Cidade do Samba - construída para a segurança somente do grupo de elite do carnaval do Rio - e quando foi decidido que nenhuma agremiação seria rebaixada naquele ano, devido às grandes perdas no barracões da Grande Rio (candidata ao título daquele ano), União da Ilha (que havia conseguido um bom patrocínio para o desfile e vinha para competir entre as seis primeiras) e Portela (com o carnaval mais atrasado do Grupo Especial).

No mesmo ano de 2011, no mês de junho, começaram as ordens de despejo das escolas de samba que tinham os seus barracões localizados no Carandiru, na Praça Marechal Hermes, no Santo Cristo. O motivo alegado foram as obras do Porto Maravilha e instalações das Olimpíadas Rio-2016. Além da remoção de 38 famílias que viviam no local. As "benfeitorias", segundo noticiou o jornal O Dia, eram as construções de "vilas de mídia e árbitros, com cerca de 11 mil quartos; o centro de convenções, que terá cerca de 50 mil metros quadrados; um hotel cinco estrelas com 500 quartos; e ainda instalações olímpicas temporárias, como centros de mídia, de operações e de credenciamento". A prefeitura, então, decidiu direcionar essas agremiações a Rua Peter Lund, 30, no Caju e abrigaria Unidos de Vila Santa Tereza, Difícil É o nome, Unidos de Padre Miguel, União do Parque Curicica, União de Jacarepaguá, Mocidade de Vicente de Carvalho e Acadêmicos de Santa Cruz. Nessa brincadeira, a antiga quadra da Vizinha Faladeira teve de ser desativada.


Antigo barracão da Renascer / Foto: Sambarazzo
Incêndios viraram rotina

As medidas de prevenção que a prefeitura poderia oferecer não são oferecidas. O máximo, como já descrito acima, um deslocamento para uma outra área que também não possui condições para que os trabalhos de uma agremiação sejam realizados. No carnaval de 2018, por exemplo, a Renascer de Jacarepaguá, que tinha o seu barracão situado pela mesma região das demais, mas ao lado da quadra da Unidos da Tijuca, onde se situavam os antigos barracões do Império Serrano e Tradição, sofreu com incêndios ao menos duas vezes durante os preparativos do seu desfile. 





Mais operação da prefeitura que removeram as agremiações de seus barracões

Incêndio no barracão da Unidos da Ponte e Lins Imperial / Foto: ANSA
Recentemente, mais problemas em relação às instalações. Mais uma vez com escolas de samba que de menor expressão, demonstrando o total desrespeito do poder público para com a cultura do samba. A Lins Imperial (6ª colocada no Grupo B da Intendente Magalhães com o enrendo Zicartola) e a Unidos da Ponte, que conquistou o direito de desfilar na Série A 2019 após ser campeã do Grupo de Acesso B, com o enredo Romance de Xangô: a dança do fogo, sofreram com a perda de muitos materiais. Abrigadas no barracão cedido pelo Império da Tijuca, também na zona portuária, na altura da Rodoviária Novo Rio, um incêndio misterioso destruiu alegorias que lá se encontravam. Segundo relatos da própria diretoria da Verde e Rosa, a causa do sinistro foi devido a moradores de rua, que ateavam fogo em alguns objetos, do lado de fora do barracão. A possível solução para estes grandes problemas seria o cumprimento da promessa da construção da Cidade do Samba 2.


À direita, Eduardo Paes / Foto: O Carnavalesco
Um "trote" chamado de Cidade do Samba 2

Sim, é um trote. Não existe a menor possibilidade de não afirmar que a construção de uma nova Cidade do Samba, que abrigue agremiações da Série A e divisões da Intendente Magalhães, não passa de uma grande "tiração de sarro" com a cara do povo do samba, desde 2011. Eduardo Paes, ex-prefeito do Rio de Janeiro, garantiu, por meio do seu Secretário de Turismo, Antonio Pedro Figueira de Mello, que a Cidade do Samba 2 ficaria pronta em pouquíssimo tempo. Leia AQUI a matéria do jornal Extra com o trecho em que Figueira de Mello afirma que o novo templo do samba seria levantado.

Em 2016, no entanto, após uma série de fatores que contribuiriam com o discurso político do "agora não dá, deixa pra próxima", Eduardo Paes não quis saber de delongas e foi direto ao afirmar que a Cidade do Samba 2 foi descartada - confira AQUI.

Escolas mirins sofrem junto

Já na gestão do bispo-prefeito Marcelo Crivella, mais ordens de despejo. Após campanha em quadra de escolas de samba, fazer cara de santo, cantar e fazer o seu show próprio para conseguir votos, anúncio de corte de verba. Mas isso não seria o suficiente para um gestor que encara cultura popular como "pecado". Uma semana após os desfiles do carnaval 2018, a Justiça autorizou a desocupação do galpão na Rua do Equador, local que abrigava alegorias da Alegria da Zona Sul, Acadêmicos do Sossego, Unidos do Cabuçu e duas agremiações mirins, a Miúda do Cabuçu e Mangueira do Amanhã. O local, inclusive, era utilizado por pessoas sem teto e que trabalhavam também com as agremiações nos períodos de produção. A alegação foi a falta de conservação do local, além das obras do VLT e Porto Maravilha. A prefeitura mal se preocupou em realocá-los. 

Escolas da Série A sem teto

Enquanto os descasos vão aumentando e não temos a menor previsão de quando teremos locais adequados para receberem pessoas e materiais de produção, a Inocentes de Belford Roxo, Alegria da Zona Sul (que já havia se mudado) e Santa Cruz podem receber a qualquer momento uma ordem de despejo de seus respectivos barracões, situados na Avenida Pereira Reis. A agremiação baixadense, inclusive, ocupa o espaço desde 1998. No total, serão 10 carros alegóricos sem local para serem guardados.


17 maio, 2018

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Carnavalesco responsável pelo desfile da Acadêmicos da Rocinha em 2018 estreia na Inocentes de Belford Roxo. Veja um pouco mais sobre a carreira do artista

A representante de Belford Roxo na Série A do carnaval carioca tem um novo nome para assinar seu enredo. Em 2019, Marcus Ferreira, que elaborou o enredo Madeira Matriz da Rocinha em 2018, é o novo carnavalesco da agremiação da Cidade do Amor. Com a escola de São Conrado, alcançou a 11ª colocação na apuração deste ano.


Formação e início dos trabalhos

Marcus Ferreira é graduado na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC) em Arquitetura e Design Gráfico, mas a paixão pela arte carnavalesca o deu a primeira oportunidade de assinar um enredo em 2009, pela Mocidade de Vicente de Carvalho, no antigo Grupo RJ-2, equivalente ao atual Grupo C da LIESB, entidade reguladora dos desfiles da Intendente Magalhães, com o enredo Pelas ruas da cidade abram alas pra Mocidade, interpretado à época por Arthur Franco, atualmente na Imperatriz Leopoldinense. Logo neste primeiro ano, o terceiro lugar na divisão garantiu acesso ao Grupo RJ-1 (Grupo B). Desta forma, conseguiu o direito de desfilar na Marquês de Sapucaí no carnaval 2010. Desfilando na terça-feira com o enredo Bonecas: impossível não se apaixonar por elas, interpretado por Hugo Junior, ex-Cubango, conseguiu apenas a nona colocação, permanecendo no Grupo.

Marcus Ferreira ao lado do presidente da Inocentes de Belford Roxo, Reginaldo Gomes / Divulgação


No ano de 2011, Marcus Ferreira foi para a Unidos de Padre Miguel, que naquela altura já mostrava desfiles memoráveis, assinou autoria do enredo Hilária Batista de Almeida, em que Fábio Santos executou o enredo que era muito semelhante ao da Vila Isabel naquele mesmo ano. O da Mocidade era Uma viagem ao universo dos cabelos, enquanto o da escola do bairro homônimo era Mitos e Histórias Entrelaçados Pelos Fios de Cabelo.

Neste mesmo ano, o carnavalesco foi convidado pela Estácio de Sá para elaborar o enredo Rosas, no último ano de mandato do presidente Marco Aurélio Fernandes, que também havia contratado Junior Scapin para ser coreógrafo da comissão de frente. Em 2011, inclusive, Marcus Ferreira recebeu o prêmio de revelação do carnaval, melhor figurinista e melhor alegoria do Grupo de Acesso A. O Leão conseguiu a terceira colocação, atrás apenas da campeã Renascer de Jacarepaguá, e da vice, Viradouro.

Em 2012, ainda na Estácio de Sá, foi responsável pelo desfile Luma de Oliveira: o Coração de um País em Festa, enredo muito contestado por parte da diretoria, à época. O resultado do carnaval daquele ano seria o sétimo lugar na tabela. Cabe lembrar que, naquele ano, eram apenas 9 agremiações no Grupo de Acesso A, dirigido pela catastrófica e lamentável LESGA, que se extinguiria ainda em 2012 e daria lugar à LIERJ.


Centenário de Jamelão

Com a nova liga do Grupo de Acesso fundada - naquele ano se alternou com o nome "Série Ouro" até ser fixado como "Série A" - 19 agremiações estavam na segunda divisão do carnaval do Rio de Janeiro com a fusão dos Grupos de Acesso A e B, que eram chefiados pela LESGA e AESCRJ, respectivamente. Marcus Ferreira foi para a Unidos do Jacarezinho, que havia conseguido o primeiro lugar no desfile de 2012 no Grupo C, ascendendo ao B e desfilando na Série A-2013. Naquele ano, segundo o "Estadão", a Rosa e Branco tinha a intenção de reeditar o enredo da própria, de 1998, Jacarezinho é...Etnias na Sapucaí". Desfile este que atribuiu o título do Grupo B à agremiação.

Porém, surgiu uma proposta enviada pelo presidente Ivo Meirelles, da Mangueira, para homenagear o eterno intérprete Jamelão, tendo em vista que a própria Mangueira sob gestão de Ivo não quis falar sobre um dos maiores expoentes da Verde e Rosa no enredo para 2013 e atribuiu à afilhada essa função. A diretoria da escola do Jacaré acatou e Marcus Ferreira executou. Infelizmente, a Unidos do Jacarezinho amargou a 18ª colocação, sendo rebaixada ao Grupo B de 2014 junto com Unidos de Vila Santa Tereza e Sereno de Campo Grande.

Alegoria da Unidos do Jacarezinho, em 2013 / Extra online


Marcus Ferreira foi do Jacaré à Jacarepaguá. Em 2014 ele foi o responsável pelo desfile da Renascer sobre o cartunista Lan, com Olhar Caricato: Simplesmente, Lan!. A agremiação passava por algumas dificuldades na elaboração do carnaval, pois havia sido rebaixada no ano anterior. No entanto, o 11º lugar garantiu que não houvesse o rebaixamento da entidade. Enquanto no ano anterior foi rebaixado para o Grupo C com a Unidos de Vila Santa Tereza.

No ano de 2016, Marcus Ferreira elaborou um dos desfiles - que ao menos eu me lembro - mais bem ilustrados na sua carreira. Na União do Parque Curicica, e com o enredo Corações Mamulengos a agremiação de Jacarepaguá apresentou uma plástica muito elogiável - principalmente a alegoria que trazia a figura de um palhaço, que estava aterrorizante. Mas o não aparecimento de uma alegoria no desfile por não ter conseguido sair do barracão custou ao Parque Curicica o 11º lugar. Sem dúvidas, se não fosse a alegoria que ficou pelo caminho, a colocação seria melhor (nesse caso, diferente da Grande Rio em 2018, foi levado em consideração a falta da alegoria. Não houve contestação nem tentativa de virada de mesa).

Primeiro campeonato na Sapucaí

Marcus Ferreira chegou ao Império Serrano em 2017. A agremiação vinha batendo na trave nos desfiles dos anos anteriores e enxergaram no talento do carnavalesco a chance de retornar ao Grupo Especial, o qual não visitava desde 2009. Com o enredo inspirado no saudoso escritor Manoel de Barros, Meu Quintal é o Maior do Mundo levou o Reizinho de Madureira ao título da Série A - mesmo com minhas contestações acerca do acabamento terrível das alegorias. A Verde e Branco não quis renovar o contrato com o carnavalesco, que em 2018 teve passagem pela Acadêmicos da Rocinha, desenvolvendo Madeira Matriz, em homenagem ao maior gravador popular da história brasileira, J. Borges. Manteve a escola na Série A e ainda esteve à frente do carnaval da União do Parque Curicica também. E no Grupo B, com O Reino está nu!, ficou a apenas 0,1 ponto de conseguir o acesso à Série A, mas ficou com o vice-campeonato da chave.

Xilogravura de J. Borges: A professora



16 maio, 2018

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Intérprete que estava na Unidos de Bangu acerta com a agremiação de Niterói para 2019. Confira abaixo um pouco mais sobre a carreira de Thiago Britto


A Acadêmicos do Cubango tem um novo intérprete para o carnaval 2019. Trata-se de Thiago Britto, de 30 anos, com um currículo longo na vida do mundo do samba. O cantor, que em 2018 esteve no carro de som da Unidos de Bangu, juntamente com Leandro Santos, assume pela primeira vez o canto de uma agremiação de Niterói.

Thiago Britto iniciou a carreira em Pilares, mas na escola mirim da principal agremiação do bairro, a Inocentes de Pilares, até chegar ao posto de intérprete oficial da Azul e Branco. O primeiro samba, inclusive, que Thiago cantou em 2010, estreando na Caprichosos, foi E por falar em saudade... reedição do carnaval de 1984, naquele desfile memorável aos mais antigos. 

Permaneceu na Caprichosos até 2016 - com um hiato em 2013, quando Celino Dias cantou na Azul e Branco, enquanto Thiago estava no Grupo Especial, ao lado de Wantuir, na Inocentes de Belford Roxo - , quando ela foi rebaixada de forma lamentável, quando até mesmo o próprio Thiago ajudava a empurrar a última alegoria, após muitos minutos de atraso. Em 2017 teve passagem pela Estácio de Sá, segurando o samba até o final. Não permaneceu no Berço do Samba e foi parar na Zona Oeste do Rio, na Unidos de Bangu, junto com Leandro Santos em 2018. A Vermelho e Branco permaneceu na Série A do carnaval carioca.


Arrebenta, bateria! Thiago Britto é da Cubango / Acervo Pessoal Thiago Britto


Ainda como intérprete oficial, Thiago Britto também esteve na Inocentes de Belford Roxo, como citado acima, mas descendeu com a agremiação naquele carnaval de 2013. E desde 2017 ele também é cantor da Camisa Verde e Branco, de São Paulo - 4ª colocação em 2017.

Como a Acadêmicos do Cubango ficou sem intérprete, já que a Grande Rio (que não aceitou o rebaixamento) contratou Evandro Malandro, que estava à frente da voz da Verde e Branco de Niterói, Thiago Britto foi a escola da agremiação, que estará muito bem representada a plenos pulmões pelo cantor que é um dos grandes da nova geração do mundo dos sambas-enredo.

Como voz de apoio, ele esteve junto no carro de som na própria Caprichosos, Acadêmicos da Abolição, Difícil é o Nome, Inocentes de Belford Roxo, Portela, Tradição, Unidos da Tijuca, e em 2018 esteve no Salgueiro.

Prêmios no Carnaval Carioca
Thiago Britto também coleciona premiações pela sua carreira. Em 2010, recebeu o Prêmio Especial da premiação S@amba-net, além do Estrela do Carnaval na categoria Revelação. Em 2016, mesmo com o rebaixamento da Caprichosos de Pilares, o cantor recebeu o Troféu Jorge Lafond, na categoria de melhor intérprete da Série A do carnaval.






08 abril, 2018

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Cantor vai para a Serrinha após 7 carnavais pela Princesinha de São Conrado

Após muitos anos no carro de som da Acadêmicos da Rocinha, com ótimo desempenho interpretando os sambas da agremiação de São Conrado, Leléu não é mais o homem de frente do carro de som da equipe de cantores. O cantor, que estreou como voz principal da escola em 2010, no enredo Ykamiabas. Em 2011 e 2012 não fez parte da equipe, mas assumiu de vez a condição de intérprete oficial a partir do ano de 2013, no ano de Mistura de sabores e raças: Uma feijoada à brasileira.

Em seu encerramento neste ciclo na Acadêmicos da Rocinha, Leléu divulgou uma carta de agradecimento por este tempo que conviveu com componentes e diretoria da Azul, Verde e Branco da Zona Sul. Abaixo, a carta:

Leléu, enquanto estava na Acadêmicos da Rocinha / Felipe Araújo


"GRATIDÃO, CARINHO E RESPEITO PELA ROCINHA
Nesse momento uma grande emoção invade meu coração. Aprendi ao longo de minha vida que GRATIDÃO, RESPEITO, AMOR E CARINHO não se compra, ou nasce contigo ou você conquista.
Eu quero nesse momento de despedida afirmar minha GRATIDÃO, CARINHO E RESPEITO pela ROCINHA. Fui intérprete em muitos lugares, andei por várias quadras e fiz do microfone o principal instrumento para mostrar ao mundo o valor do carnaval e a história de uma comunidade chamada ROCINHA.
Um lugar de gente simples e humilde, mas que tem muito valor e sabe defender a sua escola e seu pavilhão, pois o Samba não é apenas uma diversão para a comunidade, é também o lugar de resistência cultural e de afirmação de direitos.
Desde que cheguei na ROCINHA fui enormemente respeitado, tive carinho de todos os segmentos e minha identidade como Cantor/Intérprete só foi crescendo. Foram anos juntos na quadra e na passarela do samba defendendo com emoção aquilo que acreditamos.
Não existe cantor sem escola, nem escola sem cantor!!! Por onde passamos levamos conosco sempre um pouco daquilo que representamos. Eu levarei comigo a Rocinha, pois aqui aprendi muito, saio hoje muito maior do que quando cheguei. Sou muito GRATO a ROCINHA!!!
Não tenho palavras para agradecer ao Presidente Ronaldo Oliveira pelas seguidas oportunidades que me deu para ser o cantor oficial da escola. Muito Obrigado.
Quero agradecer a Bateria Ritmo Avassalador pois sintonia canto e ritmo sempre foi uma característica nossa. Seu Carlão e toda Velha Guarda fica aqui meu enorme carinho. Harmonia, Comunidade e Diretoria meu respeito será eterno.
Quero aqui fazer um agradecimento especial aos meus parceiros de Carro de Som. Essa rapaziada cresceu comigo e tornou minha tarefa mais leve. O trabalho em equipe sempre trouxe mais e melhores resultados para a Escola.
COM TODO RESPEITO, COM TODO RESPEITO, ROCINHA MEU ETERNO AMOR. VOA BORBOLETA ENCANTADA.
Até breve!!!"

Logo após o seu desligamento, Silas Leléu foi confirmado como intérprete oficial do Império Serrano, agremiação a qual o cantor já fazia parte do carro de som. Desta forma, ele estreará a sua voz no Grupo Especial. Cabe lembrar que Marquinho Art'Samba, que estava na Serrinha, saiu para ser a voz principal da Estação Primeira de Mangueira - clique no link para saber mais informações sobre Marquinho. O Império foi o último colocado no carnaval 2018, porém, ao não seguir o estatuto, a Grande Rio pleiteou o não rebaixamento da própria, tendo como consequência o não rebaixamento também do Reizinho de Madureira.

27 março, 2018

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Intérprete que esteve à frente do microfone do Império Serrano em 2016 e 2017 chega à Verde e Rosa com a missão de manter a pegada do carro de som

Marquinho com o presidente, Chiquinho da Mangueira/Divulgação Mangueira


Acabou o mistério! A Mangueira anunciou que já tem novo intérprete e ele veio dos lados de Madureira, mais precisamente da Serrinha. Marquinho Art'Samba, ex-Império Serrano, será a voz de frente da Estação Primeira no ano de 2019. Fato curioso, tendo em vista que a própria Verde e Branco havia anunciado há poucos dias a renovação com o cantor e chegou a postar na rede social da agremiação o acerto da renovação. 

Ao blog "Repinique", Marquinho Art'Samba falou um pouco sobre essa nova fase de sua vida.
- Vou cantar na escola do meu coração. Pretendo ficar aqui até os últimos dias da minha vida - disse o intérprete, que fará 48 anos no próximo dia 20 de abril.

Marquinho Art'Samba, que tem esse nome pelo grupo de samba que integrava quando jovem, é natural de Mesquita, baixada fluminense. Começou sua carreira no carnaval carioca em 2002, como voz de apoio na Grande Rio, naquele ano o qual Quinho foi o intérprete oficial da agremiação caxiense. E foi sempre como integrante dos carros de som que passou também por Inocentes de Belford Roxo, Portela, Mocidade, Porto da Pedra, Unidos de Padre Miguel, Imperatriz, até chegar no Reizinho de Madureira.


Cabe ressaltar, inclusive, que foi em 2013 que conheci o talento de Marquinho, naquele enredo da Unidos de Padre Miguel O Reencontro entre o céu e a terra no Reino de Alá Áfin e Oyó, quando a agremiação e a sua voz ainda não tinha se projetado completamente para o mundo do carnaval. Seguiu na Vermelho e Branco de Padre Miguel no ano seguinte (Decifra-me ou te devoro: Enigmas - chaves da vida) e em 2015 (Cavaleiro Armorial mandacariza o carnaval), naquele ano em que a agremiação trouxe uma belíssima homenagem ao saudoso escritor paraibano, Ariano Suassuna. E foi assim que Marquinho Art'Samba recebeu dois prêmios: Estrela do Carnaval 2015 como melhor intérprete da Série A e o SRZD, na mesma categoria.

Seu talento ultrapassou os limites da Zona Oeste e a sua voz foi até Ramos para estrear no Grupo Especial do carnaval carioca e sua projeção na carreira como intérprete oficial. Já na Imperatriz, em 2016, cantou na Sapucaí É o amor... que mexe com a minha cabeça e me deixa assim... – Do sonho de um caipira nascem os filhos do Brasil, quando cantou a carreira de Zezé Di Camargo e Luciano. Sexto lugar no seu primeiro ano como front-man em uma escola de samba no grupo.

Em 2017 ele não seguiu na Imperatriz Leopoldinense e surgiu como primeira vez no Império Serrano, sendo campeão com Meu quintal é maior do que o mundo, enredo inspirado em Manoel de Barros, escritor matogrossensse e a literatura pantaneira. Campeão na Serrinha. Mesmo com a última colocação do Reizinho de Madureira no Grupo Especial 2018, Marquinho segurou muito bem um samba com tantas alternâncias melódicas. E em 2019, talvez seja o maior desafio da carreira assumir o posto de intérprete, que já pertenceu ao lendário Jamelão e Luizito. 

Alô Mangueira! Agora é a nossa vez! Vem, vem, vem comigo!


21 março, 2018

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Ator, pai de Rocco e Camila Pitanga, e marido da deputada Benedita da Silva terá sua vida e carreira contada/cantada no Tigre de São Gonçalo no ano de 2019




O carnaval nunca para. Pouco mais de um mês depois e já temos divulgação de alguns enredos pelo Rio de Janeiro. Dessa vez o anúncio vem de São Gonçalo. O Porto da Pedra fez seu pronunciamento oficial sobre o enredo de 2019. Antônio Luiz Sampaio, o Antônio Pitanga, terá a sua vida e carreira contada na Marquês de Sapucaí. Inclusive ele tem inúmeras (mais de 50) participações em desfiles pelas escolas de samba do Rio. 

No último domingo (19/3) foi homologado na casa de Camila Pitanga, atriz e filha do homenageado, com o carnavalesco Jaime Cezário, Benedita, Rocco, Camila e o próprio Antônio a decisão. Estiveram presentes também o presidente do Porto da Pedra, Fabio Montibelo, que conduz a administração da agremiação de forma respeitável desde 2013, e os compositores Altay Veloso e Paulo César Feital.
Foto O São Gonçalo
O ator fez questão de demonstrar sua gratidão pelo convite.

- Me sinto honrado e grato pelo convite. É essa nobreza de compartilhar um pouco da história do país, da letra, da música, que admiro e quero levar junto para a Avenida - pontuou Antônio Pitanga, de 79 anos de idade, ao site Sambarazzo.

Com 59 participações no cinema, inclusive no alemão Weit ist der Weg, de 1960, o ator também já teve 45 atuações em novelas de diversas emissoras, além do espetáculo da peça de teatro Hair, de 1970. O nome Pitanga, inclusive, só se fixou à figura do soteropolitano quando disputou cadeira na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro, tornando de forma oficial o sobrenome, que fora de um personagem o qual Antônio representou no filme Bahia de Todos os Santos. 

E não foi só atuando que Antônio Pitanga viveu. Dirigiu o longa-metragem Na boca do mundo (1979), que expõe a importância dos negros dirigirem seus filmes para que haja diversidade na narrativa audiovisual, campo majoritariamente exercido por pessoas brancas.







06 março, 2018

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Tem até prévia do enredo! Pelo quarto ano consecutivo, carnavalesco assina o desfile da escola de Copacabana. 


Foto: Rafael Arantes


Oitava colocada no carnaval da Série A em 2018 (8ª colocação), resultado melhor que o de 2017   quando homenageou Beth Carvalho e alcançou somente o 13º posto, a Alegria da Zona Sul confia na manutenção da equipe de carnaval. Marco Antonio Falleiros assinou a renovação do seu contrato e fará em 2019 o desfile da Vermelho e Branco.

Falleiros iniciou seu trabalho na agremiação em 2006, na comissão de carnaval de um dos desfiles que seriam um dos mais memoráveis da Alegria da Zona Sul, mas que amargou o rebaixamento com seríssimos problemas técnicos durante a sua passagem na Sapucaí. Em 2007, Marco Antonio assume sozinho o posto de carnavalesco, onde permanece até 2010 e retorna em 2016 com o enredo Ogum, tendo como intérprete o carnavalesco Tiganá. Sendo que nos dois carnavais anteriores com Sacopenapã e Kari'Oka (ambos na voz do saudoso Edmilton Di Bem), ela passou tirando fino da zona de descenso para a Intendente Magalhães e foi em 2016 que ela conseguiu fazer um desfile que não colocava em dúvida a sua permanência na Série A. No ano passado, por muito pouco não ficou no lugar da União do Parque Curicica e foi rebaixada. Em 2018, a Alegria veio com o enredo Bravos Malês! a Saga de Luiza Mahin, que foi uma escrava liberta, símbolo de resistência ideológica e luta.

O presidente da agremiação do Cantagalo, Pavãozinho e Pavão, Marquinhos Almeida, ao "SRZD Carnaval" se mostrou empolgado e animado com a permanência do artista na Zona Sul.

- O Marco Antonio é um exclente profissional e eu fico extremamente feliz por tê-lo conosco. Em 2019, faremos um Carnaval ainda melhor do que foi visto em 2018. Peço que a comunidade continue acreditando em nós, pois não os decepcionaremos - concluiu o mandatário.

Falleiros ainda deu uma canja do que a Alegria da Zona Sul trará para 2019 ao ressaltar a felicidade de permanecer "em casa".

- Estou muito feliz com a renovação. O presidente Marquinhos e eu estamos muito empolgados com nosso projeto para 2019, que já está em desenvolvimento e mexerá bastante com a fé e a religiosidade das pessoas, quero levá-las a um plano espiritual. Nossa comunidade também está feliz, pois mesmo com todas as dificuldades, compraram nossa ideia e acreditaram em nós. Teremos mais um ano de muito trabalho e dedicação. Faremos um carnaval em busca do título para encher de orgulho a comunidade do Pavão-Pavãozinho e Cantagalo - disse Marco Antonio.


Em nota, a Alegria da Zona Sul foi expulsa do seu barracão pela prefeitura do Rio e o bispo Crivella para a renovação da zona portuária da cidade.



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Carnavalesco campeão com a Viradouro em 2018 assina com a escola da Zona Oeste, e terá a companhia de Alex de Oliveira, ex-Rocinha

Divulgação/Unidos de Bangu

Como já dito no blog, o carnaval não para. Seguindo a levada das demais agremiações e suas danças das cadeiras, a Unidos de Bangu tratou de se movimentar no mercado e anunciou a contratação de Edson Pereira, que também fez parte da Mocidade em 2016 e 2017 (campeão com Alexandre Louzada, inclusive), campeão com a Viradouro na Série A em 2018, e que também já firmou acordo com a Vila Isabel para o Carnaval do Grupo Especial. Junto com ele, Alex de Oliveira, carnavalesco com passagens pela Acadêmicos da Rocinha e professor da Universidade Veiga de Almeida, chega para trabalhar junto com a comissão de carnaval.

Cabe ressaltar que a Unidos de Bangu tem se esforçado por um orçamento maior. Em 2018, por exemplo, trouxe no carro de som Leandrinho e Thiago Britto, que já foram as vozes de grandes escolas, como Estácio, Sossego, Tuiuti e Caprichosos de Pilares. E se agregando ao grupo, o carnavalesco Cid Carvalho (campeão com a Beija-Flor neste ano) assinou o desfile da Alvirrubra da Zona Oeste, mas que também saíram de Bangu, substituídos por Tem-Tem Jr. e Luís Oliveira.

Edson, inclusive, foi responsável por desfiles memoráveis da Unidos de Padre Miguel, onde começou em 2006. Durante os anos de 2014, 2015, 2016 e 2017, o carnavalesco foi responsável por um espetáculo à parte quando a escola vizinha de Bangu desfilava. No entanto, a agremiação sempre bate na trave, seja com vices-campeonatos por falhas na execução do andamento do desfile, ou por fatalidades, como a fratura na perna de Jessica Ferreira em 2017, em frente à cabine de jurados, a retirando da apresentação. Edson Pereira, também já havia elaborado um carnaval da Viradouro, mas em 2010, quando a escola de Niterói passava por profunda crise e terminaria rebaixada. Foi ele também quem pediu a contratação do parceiro de criação.

Enquanto Alex de Oliveira já elaborou dois carnavais da Acadêmicos da Rocinha (assinando solo) e participou da confecção de desfiles da Portela e Unidos do Jacarezinho. Em 2015, pelo Grupo B, Alex foi campeão com a escola de São Conrado e em 2016 manteve a agremiação na Série A.

05 março, 2018

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Como se fala de carnaval o ano todo? Com a existência dele em evidência somente no mês de fevereiro ou março, mas que durante os demais meses não conseguimos enxergar?

Para quem não sabe, todo o trabalho de pesquisa e apuração é feito quase que em sequência do carnaval, poucas semanas depois. Exemplo disso é que hoje (5/3), a Independentes de Olaria, agremiação vencedora do Grupo E do carnaval carioca, já escolheu seu enredo para o ano que vem De canto em canto, te conto um conto, uma homenagem a Luis da Câmara Cascudo, que foi historiador, antropólogo, advogado e jornalista (homenageado inclusive na nota de cinquenta mil cruzeiros, em 1991), produziu contos populares e folcloristas, com olhar infantilizado, no deslumbre da criança.

Segundo Guilherme Estevão, carnavalesco da agremiação "O desfile prestará uma homenagem ao folclore brasileiro, a obra de Câmara Cascudo ainda pouco explorada no Carnaval, a memória, oralidade popular e a pureza da infância dos vários cantos do país"

Ou seja, temos atividade carnavalesca já se iniciando em menos de um mês após o desfile. Ele está presente na vida de milhares de pessoas ao longo dos anos. Inclusive da minha, já que posso dizer que acompanho o carnaval de forma mais assídua desde os 7 anos de idade, quando minha vó ainda era baiana da São Clemente no célebre enredo Maiores são os poderes do povo...se liga na São Clemente. Desde então o amor pelo carnaval só aumentou.

Nesse espaço, pretendo colocar aqui análises imparciais, às vezes acalorada e frias sobre julgamentos das agremiações, diretorias ativas/passivas, patrocinadores, direitos de transmissão do maior evento cultural do mundo, etc. CRÍTICA, como o nome do blog, que também é uma homenagem à Aurinegra da Zona Sul do Rio e seu histórico crítico e irreverente de fazer carnaval. Em breve, atualizações a informações!