20 abril, 2018

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Mart'Nália e Paulo Barros se cutucaram. A Vila Isabel também tem responsabilidade na troca de "lamentações"



Em uma segunda-feira, no dia 12 de março de 2018, eram divulgadas na internet, redes sociais e outros meio de comunicação uma declaração de Mart'Nália, figura ilustríssima da Unidos de Vila Isabel, tal qual Martinho, sobre o carnavalesco da agremiação do bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro deu o que falar no mundo do carnaval. As afirmações da sambista ao jornal "O Globo" repercutiu de maneira "afrontosa" como foi divulgada pelo jornal. Ao explicar o motivo de não ter aparecido no carnaval 2019 pela agremiação Azul e Branca, a artista disparou:

Não fui lá no Carnaval porque fiz o samba da Unidos da Tijuca e andava de saco cheio da Vila Isabel, até então com o Paulo Barros.


A princípio, de fato, uma declaração de completa insatisfação com o modo como são conduzidos os trabalhos do carnavalesco da sua equipe de carnaval. Não é difícil encontrar quem não creia que a "forma X ou Y" seja a melhor forma de criar carnaval. Porém, eis que vem a afirmação seguinte:

Foto: Márcio Alves /Extra


Espero que fique bem longe da minha escola. Na escola dos outros, é incrível. Na minha, óbvio que não ia dar certo. Vila é liberdade, boemia, samba. Não combina com aquele carnaval grandioso, uóóó! Tirou as características da escola, o que acaba afastando muita gente. Agora, volta todo mundo, êêê! Está tudo lindo - disse Mart'Nália.

No dia seguinte, obviamente houve uma "resposta" do carnavalesco Paulo Barros via Instagram. Ele, inclusive, sempre é direto nas respostas em sua rede social. Sem papas na língua e em tom de decepção acerca das declarações de Mart'Nália ao jornalão e lamentando a situação, Paulo escreveu:

O meu sentimento hoje é de tristeza e, principalmente, de decepção. Mart'Nália, uma referência da nossa Música Popular Brasileira e exemplo de respeito às diferenças! Se sua opinião sobre a minha passagem na “sua” Vila Isabel foi nociva aos padrões de boemia, liberdade e samba, citados como características de “sua“ escola, só lamento - escreveu o atualmente carnavalesco da Unidos do Viradouro, de Niterói.

Ao final das suas declarações no Instagram, Paulo alfinetou:

- No seu comentário “Espero que passe longe da 'minha' escola , infelizmente não posso prometer. Vai que a “sua“ escola me “carrega“ outra vez? E, se acontecer, aceito com prazer! Na “sua” escola só conheci gente amiga, honesta, gente carinhosa - finalizou

A diretoria da Vila Isabel quando contratou Paulo Barros com certeza sabia exatamente como era a sua metodologia e as consequências que viriam a seguir. Os diretores não sabiam que ocorreria o eventual afastamento? Até porque, o carnavalesco já tem, ao menos no Grupo Especial, 14 anos de experiência. São 14 anos que servem para fazer uma análise fria sobre como a comunidade e as personalidades de uma agremiação reagiriam com a vinda dele para a Vila. 

Paulo, inclusive, já teve passagem pela Escola em 2009, no enredo Neste Palco da Folia, É Minha Vila Que Anuncia: Theatro Municipal - a Centenária Maravilha, quando obteve a quarta colocação. Vale o risco de afastar determinadas pessoas para fazer um investimento tão grande, com poucos resultados e depois causar esse tipo de reação no componente? Se a coordenação dos trabalhos com ele é engessada ou seja lá qual maneira é a desagradável, então porque a escolha? Pelo modelo de carnaval que é apresentado, mas afastando componentes? Então, dirigentes, além da influência da mídia, também temos uma falha de comunicação gravíssima com o corpo da comunidade, possibilitando que inúmeras informações sejam divulgadas da maneira que os meios de comunicação bem entenderem.

Vide a ida de Mestre Chuvisco da Estácio para a Vila. Muito contestado por parte dos ritmistas, sendo divulgadas algumas críticas negativas acerca do desempenho da bateria e do andamento da mesma durante os ensaios, ele permaneceu. Porém, seu retorno à Estácio de Sá pode ser a confirmação de que houve insatisfação na sua contratação. Então temos dois fatores relevantes onde não houve um cuidado maior entre os diretores para a seleção do corpo do carnaval 2018.

Além do mais, são dois expoentes em suas diferentes áreas de atuação. Mart'Nália na voz, percussão e composição, enquanto Paulo Barros trabalha na representação descritiva exatamente sobre as composições, moldando para o visual a sinopse e letra do samba-enredo. 
O problema também não está exatamente na idealização de carnaval, em temas futuristas ou que não estão andando ao lado do mundo do samba, suas raízes e origens, pois a nossa festa é tão abrangente que possibilita a criação de múltiplos universos. Estes que são apresentados em 72 minutos e deixam de existir na Praça da Apoteose, seja desde a cultura Iorubá, séculos antes da aparição do cristianismo, até a nanotecnologia, redes sociais, hábitos do cidadão do século XXI. Ou seja, mais uma vez, se a maioria dos integrantes da Vila Isabel tinham em mente que não são essas as características dela, e que o artista não modificaria sua forma de produção artística, porque contratar? 


Pois bem, temos aqui um panorama "trevoroso" na relação entre ambos. Há um conflito gerado desde a divulgação das declarações da sambista que, como toda e qualquer pessoa, tem direito de expressar a sua opinião acerca de um trabalho. Tanto que até um elogio é tecido ao carnavalesco, ao reconhecer que ele faz um carnaval grandioso, próprio, independentemente da agremiação que ele estará. Por isso ela prefere que Paulo Barros fique longe da Vila Isabel, pois seu estilo, segundo a mesma, não é compatível com a Escola, tendo como consequência a perda de característica do grêmio e o afastamento de pessoas. Temos um ponto aqui.

A rusga não foi criada pela Mart'Nália ou por Paulo Barros. A rusga foi criada desde a contratação do profissional até o estopim, nas declarações da artista. É necessário muito cuidado, pois são nesses pequenos aspectos que a grande mídia samba na cara do carnaval.

08 abril, 2018

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Cantor vai para a Serrinha após 7 carnavais pela Princesinha de São Conrado

Após muitos anos no carro de som da Acadêmicos da Rocinha, com ótimo desempenho interpretando os sambas da agremiação de São Conrado, Leléu não é mais o homem de frente do carro de som da equipe de cantores. O cantor, que estreou como voz principal da escola em 2010, no enredo Ykamiabas. Em 2011 e 2012 não fez parte da equipe, mas assumiu de vez a condição de intérprete oficial a partir do ano de 2013, no ano de Mistura de sabores e raças: Uma feijoada à brasileira.

Em seu encerramento neste ciclo na Acadêmicos da Rocinha, Leléu divulgou uma carta de agradecimento por este tempo que conviveu com componentes e diretoria da Azul, Verde e Branco da Zona Sul. Abaixo, a carta:

Leléu, enquanto estava na Acadêmicos da Rocinha / Felipe Araújo


"GRATIDÃO, CARINHO E RESPEITO PELA ROCINHA
Nesse momento uma grande emoção invade meu coração. Aprendi ao longo de minha vida que GRATIDÃO, RESPEITO, AMOR E CARINHO não se compra, ou nasce contigo ou você conquista.
Eu quero nesse momento de despedida afirmar minha GRATIDÃO, CARINHO E RESPEITO pela ROCINHA. Fui intérprete em muitos lugares, andei por várias quadras e fiz do microfone o principal instrumento para mostrar ao mundo o valor do carnaval e a história de uma comunidade chamada ROCINHA.
Um lugar de gente simples e humilde, mas que tem muito valor e sabe defender a sua escola e seu pavilhão, pois o Samba não é apenas uma diversão para a comunidade, é também o lugar de resistência cultural e de afirmação de direitos.
Desde que cheguei na ROCINHA fui enormemente respeitado, tive carinho de todos os segmentos e minha identidade como Cantor/Intérprete só foi crescendo. Foram anos juntos na quadra e na passarela do samba defendendo com emoção aquilo que acreditamos.
Não existe cantor sem escola, nem escola sem cantor!!! Por onde passamos levamos conosco sempre um pouco daquilo que representamos. Eu levarei comigo a Rocinha, pois aqui aprendi muito, saio hoje muito maior do que quando cheguei. Sou muito GRATO a ROCINHA!!!
Não tenho palavras para agradecer ao Presidente Ronaldo Oliveira pelas seguidas oportunidades que me deu para ser o cantor oficial da escola. Muito Obrigado.
Quero agradecer a Bateria Ritmo Avassalador pois sintonia canto e ritmo sempre foi uma característica nossa. Seu Carlão e toda Velha Guarda fica aqui meu enorme carinho. Harmonia, Comunidade e Diretoria meu respeito será eterno.
Quero aqui fazer um agradecimento especial aos meus parceiros de Carro de Som. Essa rapaziada cresceu comigo e tornou minha tarefa mais leve. O trabalho em equipe sempre trouxe mais e melhores resultados para a Escola.
COM TODO RESPEITO, COM TODO RESPEITO, ROCINHA MEU ETERNO AMOR. VOA BORBOLETA ENCANTADA.
Até breve!!!"

Logo após o seu desligamento, Silas Leléu foi confirmado como intérprete oficial do Império Serrano, agremiação a qual o cantor já fazia parte do carro de som. Desta forma, ele estreará a sua voz no Grupo Especial. Cabe lembrar que Marquinho Art'Samba, que estava na Serrinha, saiu para ser a voz principal da Estação Primeira de Mangueira - clique no link para saber mais informações sobre Marquinho. O Império foi o último colocado no carnaval 2018, porém, ao não seguir o estatuto, a Grande Rio pleiteou o não rebaixamento da própria, tendo como consequência o não rebaixamento também do Reizinho de Madureira.

01 abril, 2018

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Conheça mais da carreira do intérprete que teve a primeira oportunidade de cantar como voz principal em 2004 e chega para reforçar o carro de som da Aurinegra de Botafogo no carnaval de 2019



Bruno Ribas entra em cena na São Clemente / Rafael Arantes


Está presente a Nação Clementiana! Eeeeentra em ceeeena São Clemente!
Meu orgulho é a São Clemente. É o sooom do beeeem!

Vai ser nessa toada e nesses tons que a São Clemente desfilará no carnaval 2019. Bruno Ribas, intérprete com títulos e destaque no cenário do carnaval brasileiro firmou acordo para soltar a voz ao lado da cria da agremiação de Botafogo, Leozinho Nunes, no carnaval 2019.

A diretoria da São Clemente, por meio do seu presidente Renato Almeida Gomes, já havia anunciado que 2019 seria um ano para ousar (confira aqui) e, de fato, a contratação de Bruno Ribas não era esperada, até porque houve especulações de que o intérprete estaria de acordo acertado com o Império Serrano, devido a saída de Marquinho Art'Samba para a Estação Primeira de Mangueira. Renatinho, inclusive, fez questão de exaltar o profissional.

O Bruno é um grande amigo e um profissional de ponta do nosso Carnaval. A chegada dele para fazer essa participação especial ao lado do Leozinho é muito importante pra gente também. Essa é uma temporada que resolvemos apostar pesado, estamos planejando uma nova São Clemente de certa forma. Estou muito feliz e tenho certeza que será um casamento perfeito entre os dois intérpretes - comentou o mandatário clementiano, ao site "Sambarazzo". 

Quanto a ousadia da Aurinegra de Botafogo, o intérprete também comentou, acrescentando que a agremiação tem um bom ambiente e sobre o aspecto do projeto que a São Clemente apresentou.

Estou muito feliz. Primeiro porque a São Clemente é uma escola que encanta todo mundo, tem um ambiente muito agradável, com pessoas incríveis, com uma comunidade apaixonada. E em segundo lugar pelo projeto da escola. É realmente um ano de ousadia, de reestruturação de muitos aspectos. Quando o presidente conversou comigo, notei a grandeza do projeto. Só tenho a comemorar mesmo - disse Bruno Ribas.

Como voz de apoio, Bruno integrou o carro de som de Estácio, Mangueira e Beija-Flor, entre os anos de 2002 e 2004. Em 2003, inclusive, foi quando conheci a sua voz na Inocentes de Belford Roxo (à época, Inocentes da Baixada) quando assistia aos desfiles pela CNT Gazeta. Em 2004, mostrou que chegava no samba para ficar e esbanjou talento no samba Sorria... sou Rio, sou carioca, sou Inocentes, sou Pan e serei Olimpíada. A agremiação não teve sucesso, mas o ano de 2005 reservou para Bruno Ribas o posto de intérprete oficial da Portela. Ele chega à sua 15ª escola de samba como intérprete oficial. 

Bruno Ribas ingressou no carnaval de São Paulo no ano de 2008, então no Império de Casa Verde. Tamandaré e Mocidade Unida da Mooca também fizeram parte da sua vida de intérprete, mas é na Tom Maior onde ele permanece por mais tempo, desde 2017. Fora do carnaval paulista e carioca, o cantor teve passagens por escolas do Rio Grande do Sul (Cova da Onça, Império Serrano e Copacabana) e também do Espírito Santo, na Pega no Samba. 

Em 2005, Bruno Ribas ganhou o prêmio Tupi Carnaval Total de intérprete revelação, bem como o Estandarte de Ouro na mesma categoria.

Cabe lembrar que Bruno Ribas foi o intérprete da parceria de Ricardo Góes, Flavinho Segal, Naldo, Serginho Machado, Fabiano Paiva, Igor Marinho e Gustavo Clarão nos cortes de sambas para o carnaval 2018. Parceria esta que venceu que compôs o samba da São Clemente para este ano.