Mart'Nália e Paulo Barros se cutucaram. A Vila Isabel também tem responsabilidade na troca de "lamentações"
- Não fui lá no Carnaval porque fiz o samba da Unidos da Tijuca e andava de saco cheio da Vila Isabel, até então com o Paulo Barros.
A princípio, de fato, uma declaração de completa insatisfação com o modo como são conduzidos os trabalhos do carnavalesco da sua equipe de carnaval. Não é difícil encontrar quem não creia que a "forma X ou Y" seja a melhor forma de criar carnaval. Porém, eis que vem a afirmação seguinte:
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| Foto: Márcio Alves /Extra |
- Espero que fique bem longe da minha escola. Na escola dos outros, é incrível. Na minha, óbvio que não ia dar certo. Vila é liberdade, boemia, samba. Não combina com aquele carnaval grandioso, uóóó! Tirou as características da escola, o que acaba afastando muita gente. Agora, volta todo mundo, êêê! Está tudo lindo - disse Mart'Nália.
No dia seguinte, obviamente houve uma "resposta" do carnavalesco Paulo Barros via Instagram. Ele, inclusive, sempre é direto nas respostas em sua rede social. Sem papas na língua e em tom de decepção acerca das declarações de Mart'Nália ao jornalão e lamentando a situação, Paulo escreveu:
- O meu sentimento hoje é de tristeza e, principalmente, de decepção. Mart'Nália, uma referência da nossa Música Popular Brasileira e exemplo de respeito às diferenças! Se sua opinião sobre a minha passagem na “sua” Vila Isabel foi nociva aos padrões de boemia, liberdade e samba, citados como características de “sua“ escola, só lamento - escreveu o atualmente carnavalesco da Unidos do Viradouro, de Niterói.
Ao final das suas declarações no Instagram, Paulo alfinetou:
- No seu comentário “Espero que passe longe da 'minha' escola , infelizmente não posso prometer. Vai que a “sua“ escola me “carrega“ outra vez? E, se acontecer, aceito com prazer! Na “sua” escola só conheci gente amiga, honesta, gente carinhosa - finalizou
A diretoria da Vila Isabel quando contratou Paulo Barros com certeza sabia exatamente como era a sua metodologia e as consequências que viriam a seguir. Os diretores não sabiam que ocorreria o eventual afastamento? Até porque, o carnavalesco já tem, ao menos no Grupo Especial, 14 anos de experiência. São 14 anos que servem para fazer uma análise fria sobre como a comunidade e as personalidades de uma agremiação reagiriam com a vinda dele para a Vila.
Paulo, inclusive, já teve passagem pela Escola em 2009, no enredo Neste Palco da Folia, É Minha Vila Que Anuncia: Theatro Municipal - a Centenária Maravilha, quando obteve a quarta colocação. Vale o risco de afastar determinadas pessoas para fazer um investimento tão grande, com poucos resultados e depois causar esse tipo de reação no componente? Se a coordenação dos trabalhos com ele é engessada ou seja lá qual maneira é a desagradável, então porque a escolha? Pelo modelo de carnaval que é apresentado, mas afastando componentes? Então, dirigentes, além da influência da mídia, também temos uma falha de comunicação gravíssima com o corpo da comunidade, possibilitando que inúmeras informações sejam divulgadas da maneira que os meios de comunicação bem entenderem.
Vide a ida de Mestre Chuvisco da Estácio para a Vila. Muito contestado por parte dos ritmistas, sendo divulgadas algumas críticas negativas acerca do desempenho da bateria e do andamento da mesma durante os ensaios, ele permaneceu. Porém, seu retorno à Estácio de Sá pode ser a confirmação de que houve insatisfação na sua contratação. Então temos dois fatores relevantes onde não houve um cuidado maior entre os diretores para a seleção do corpo do carnaval 2018.
Além do mais, são dois expoentes em suas diferentes áreas de atuação. Mart'Nália na voz, percussão e composição, enquanto Paulo Barros trabalha na representação descritiva exatamente sobre as composições, moldando para o visual a sinopse e letra do samba-enredo.
O problema também não está exatamente na idealização de carnaval, em temas futuristas ou que não estão andando ao lado do mundo do samba, suas raízes e origens, pois a nossa festa é tão abrangente que possibilita a criação de múltiplos universos. Estes que são apresentados em 72 minutos e deixam de existir na Praça da Apoteose, seja desde a cultura Iorubá, séculos antes da aparição do cristianismo, até a nanotecnologia, redes sociais, hábitos do cidadão do século XXI. Ou seja, mais uma vez, se a maioria dos integrantes da Vila Isabel tinham em mente que não são essas as características dela, e que o artista não modificaria sua forma de produção artística, porque contratar?
Pois bem, temos aqui um panorama "trevoroso" na relação entre ambos. Há um conflito gerado desde a divulgação das declarações da sambista que, como toda e qualquer pessoa, tem direito de expressar a sua opinião acerca de um trabalho. Tanto que até um elogio é tecido ao carnavalesco, ao reconhecer que ele faz um carnaval grandioso, próprio, independentemente da agremiação que ele estará. Por isso ela prefere que Paulo Barros fique longe da Vila Isabel, pois seu estilo, segundo a mesma, não é compatível com a Escola, tendo como consequência a perda de característica do grêmio e o afastamento de pessoas. Temos um ponto aqui.
A rusga não foi criada pela Mart'Nália ou por Paulo Barros. A rusga foi criada desde a contratação do profissional até o estopim, nas declarações da artista. É necessário muito cuidado, pois são nesses pequenos aspectos que a grande mídia samba na cara do carnaval.

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