17 maio, 2018

Marcus Ferreira na Cidade do Amor

Carnavalesco responsável pelo desfile da Acadêmicos da Rocinha em 2018 estreia na Inocentes de Belford Roxo. Veja um pouco mais sobre a carreira do artista

A representante de Belford Roxo na Série A do carnaval carioca tem um novo nome para assinar seu enredo. Em 2019, Marcus Ferreira, que elaborou o enredo Madeira Matriz da Rocinha em 2018, é o novo carnavalesco da agremiação da Cidade do Amor. Com a escola de São Conrado, alcançou a 11ª colocação na apuração deste ano.


Formação e início dos trabalhos

Marcus Ferreira é graduado na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC) em Arquitetura e Design Gráfico, mas a paixão pela arte carnavalesca o deu a primeira oportunidade de assinar um enredo em 2009, pela Mocidade de Vicente de Carvalho, no antigo Grupo RJ-2, equivalente ao atual Grupo C da LIESB, entidade reguladora dos desfiles da Intendente Magalhães, com o enredo Pelas ruas da cidade abram alas pra Mocidade, interpretado à época por Arthur Franco, atualmente na Imperatriz Leopoldinense. Logo neste primeiro ano, o terceiro lugar na divisão garantiu acesso ao Grupo RJ-1 (Grupo B). Desta forma, conseguiu o direito de desfilar na Marquês de Sapucaí no carnaval 2010. Desfilando na terça-feira com o enredo Bonecas: impossível não se apaixonar por elas, interpretado por Hugo Junior, ex-Cubango, conseguiu apenas a nona colocação, permanecendo no Grupo.

Marcus Ferreira ao lado do presidente da Inocentes de Belford Roxo, Reginaldo Gomes / Divulgação


No ano de 2011, Marcus Ferreira foi para a Unidos de Padre Miguel, que naquela altura já mostrava desfiles memoráveis, assinou autoria do enredo Hilária Batista de Almeida, em que Fábio Santos executou o enredo que era muito semelhante ao da Vila Isabel naquele mesmo ano. O da Mocidade era Uma viagem ao universo dos cabelos, enquanto o da escola do bairro homônimo era Mitos e Histórias Entrelaçados Pelos Fios de Cabelo.

Neste mesmo ano, o carnavalesco foi convidado pela Estácio de Sá para elaborar o enredo Rosas, no último ano de mandato do presidente Marco Aurélio Fernandes, que também havia contratado Junior Scapin para ser coreógrafo da comissão de frente. Em 2011, inclusive, Marcus Ferreira recebeu o prêmio de revelação do carnaval, melhor figurinista e melhor alegoria do Grupo de Acesso A. O Leão conseguiu a terceira colocação, atrás apenas da campeã Renascer de Jacarepaguá, e da vice, Viradouro.

Em 2012, ainda na Estácio de Sá, foi responsável pelo desfile Luma de Oliveira: o Coração de um País em Festa, enredo muito contestado por parte da diretoria, à época. O resultado do carnaval daquele ano seria o sétimo lugar na tabela. Cabe lembrar que, naquele ano, eram apenas 9 agremiações no Grupo de Acesso A, dirigido pela catastrófica e lamentável LESGA, que se extinguiria ainda em 2012 e daria lugar à LIERJ.


Centenário de Jamelão

Com a nova liga do Grupo de Acesso fundada - naquele ano se alternou com o nome "Série Ouro" até ser fixado como "Série A" - 19 agremiações estavam na segunda divisão do carnaval do Rio de Janeiro com a fusão dos Grupos de Acesso A e B, que eram chefiados pela LESGA e AESCRJ, respectivamente. Marcus Ferreira foi para a Unidos do Jacarezinho, que havia conseguido o primeiro lugar no desfile de 2012 no Grupo C, ascendendo ao B e desfilando na Série A-2013. Naquele ano, segundo o "Estadão", a Rosa e Branco tinha a intenção de reeditar o enredo da própria, de 1998, Jacarezinho é...Etnias na Sapucaí". Desfile este que atribuiu o título do Grupo B à agremiação.

Porém, surgiu uma proposta enviada pelo presidente Ivo Meirelles, da Mangueira, para homenagear o eterno intérprete Jamelão, tendo em vista que a própria Mangueira sob gestão de Ivo não quis falar sobre um dos maiores expoentes da Verde e Rosa no enredo para 2013 e atribuiu à afilhada essa função. A diretoria da escola do Jacaré acatou e Marcus Ferreira executou. Infelizmente, a Unidos do Jacarezinho amargou a 18ª colocação, sendo rebaixada ao Grupo B de 2014 junto com Unidos de Vila Santa Tereza e Sereno de Campo Grande.

Alegoria da Unidos do Jacarezinho, em 2013 / Extra online


Marcus Ferreira foi do Jacaré à Jacarepaguá. Em 2014 ele foi o responsável pelo desfile da Renascer sobre o cartunista Lan, com Olhar Caricato: Simplesmente, Lan!. A agremiação passava por algumas dificuldades na elaboração do carnaval, pois havia sido rebaixada no ano anterior. No entanto, o 11º lugar garantiu que não houvesse o rebaixamento da entidade. Enquanto no ano anterior foi rebaixado para o Grupo C com a Unidos de Vila Santa Tereza.

No ano de 2016, Marcus Ferreira elaborou um dos desfiles - que ao menos eu me lembro - mais bem ilustrados na sua carreira. Na União do Parque Curicica, e com o enredo Corações Mamulengos a agremiação de Jacarepaguá apresentou uma plástica muito elogiável - principalmente a alegoria que trazia a figura de um palhaço, que estava aterrorizante. Mas o não aparecimento de uma alegoria no desfile por não ter conseguido sair do barracão custou ao Parque Curicica o 11º lugar. Sem dúvidas, se não fosse a alegoria que ficou pelo caminho, a colocação seria melhor (nesse caso, diferente da Grande Rio em 2018, foi levado em consideração a falta da alegoria. Não houve contestação nem tentativa de virada de mesa).

Primeiro campeonato na Sapucaí

Marcus Ferreira chegou ao Império Serrano em 2017. A agremiação vinha batendo na trave nos desfiles dos anos anteriores e enxergaram no talento do carnavalesco a chance de retornar ao Grupo Especial, o qual não visitava desde 2009. Com o enredo inspirado no saudoso escritor Manoel de Barros, Meu Quintal é o Maior do Mundo levou o Reizinho de Madureira ao título da Série A - mesmo com minhas contestações acerca do acabamento terrível das alegorias. A Verde e Branco não quis renovar o contrato com o carnavalesco, que em 2018 teve passagem pela Acadêmicos da Rocinha, desenvolvendo Madeira Matriz, em homenagem ao maior gravador popular da história brasileira, J. Borges. Manteve a escola na Série A e ainda esteve à frente do carnaval da União do Parque Curicica também. E no Grupo B, com O Reino está nu!, ficou a apenas 0,1 ponto de conseguir o acesso à Série A, mas ficou com o vice-campeonato da chave.

Xilogravura de J. Borges: A professora



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