02 agosto, 2018

[CRÍTICA] Inocentes de Belford Roxo perde barracão para empresa privada

Em meio às tentativas de garantir uma área habitável para as escolas de samba da Série A, fica cada vez mais evidente como a cultura popular vem sendo excluída. Corte de verbas, incêndios, reintegração de posse da prefeitura e, agora, uma agremiação mais uma vez perde seu espaço de produção, agora não pelas mãos da prefeitura, mas do capital privado. Veja o histórico recente de acidentes


Foto: Reprodução
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É inacreditável! Não basta os incêndios recentes no barracão do Porto da Pedra, do Império da Tijuca e da Renascer de Jacarepaguá para se investir no Carnaval. Mais uma vez a cultura carioca vai perdendo espaço para uma ilusória "expansão comercial". Nesta quinta-feira, dia 2 de agosto de 2018, a última vítima da negligência do poder público foi a G.R.E.S Inocentes de Belford Roxo, agremiação que foi a quarta colocada na Série A com o enredo Moju, Magé, Mojubá, teve uma péssima surpresa. Ela recebeu uma ordem de despejo da área em que fabricava suas alegorias e fantasias, na Zona Portuária do Rio de Janeiro. O espaço foi adquirido por uma empresa privada (de nome que ainda não é do meu conhecimento) e teve a presença da Polícia Militar para a entrega da ordem - veja nas imagens ao lado do texto.

Veja mais: [CRÍTICA] Descaso da prefeitura, incêndio e despejo: um "presente" para o samba. Confira no link a rotina de incêndios que assola as agremiações que não são privilegiadas com uma Cidade do Samba

Histórico recente de incêndios:

- Acadêmicos do Cubango: Em 31/8/2015, a bola da vez foi a escola de Niterói a sofrer com incêndio. A versão do acidente foi que o fogo se alastrou por uma área de mata próximo ao barracão. Algumas instalações tiveram de ser reparadas.

- Renascer de Jacarepaguá: Em 28/6/2017 foi constatado o incêndio no barracão da agremiação da Zona Oeste, à noite. Curiosamente, em menos de 2 meses, o local voltou a pegar fogo no dia 10/8, durante a tarde.

- Império da Tijuca: No dia 2/5/2018 a antiga fábrica de alegorias do Imperinho também foi alvo do fogo. Foi dito, a princípio, que a utilização de um morteiro por moradores de rua nos arredores do local havia causado o incêndio. As prejudicadas foram a Unidos da Ponte e a Lins Imperial, da Série A e Grupo B, respectivamente, que abrigavam suas alegorias no barracão.

- Porto da Pedra: Em 24/7/2018 o barracão do Tigre de São Gonçalo foi destruído e a agremiação terá seu desfile comprometido caso não consiga receber algum tipo de ajuda das coirmãs, tendo em vista que a prefeitura só distribui subsídios a seus companheiros de esquema. O presidente da escola acredita em incêndio criminoso. Enquanto O São Gonçalo pontua que a área pode ter sido vítima de ações da Máfia dos Ferros-Velho, que também estaria envolvida nos incêndios do barracão da Alegria da Zona Sul, em 2011 (no enredo Os doze obás de Xangô, que tinha um lindo samba), causando prejuízo de cerca de 250 mil reais, além do incêndio no local pertencente à Acadêmicos do Sossego. Leia aqui sobre a tal Máfia. O Tigre perdeu 3 alegorias.

Afinal, quando teremos segurança para podermos curtir o nosso Carnaval em paz, sem retrocesso, sem a prefeitura ditando as regras da festa? Parece que fica cada vez mais distante o sonho de ver a estrutura do carnaval sólida, com mais instalações fixas que improvisadas. Por exemplo, a Cidade do Samba 2, especulada na gestão Eduardo Paes como prefeito da cidade, voltou à pauta.

A LIERJ, entidade que dirige a Série A, presidida por Renato Thor - mandatário da Paraíso do Tuiuti, vice campeã do Carnaval-2018 - protocolou o pedido de cessão de um terreno baldio na Avenida Brasil. Porém, somente algumas agremiações poderiam começar as suas atividades para 2019 neste espaço (Alegria da Zona Sul, Inocentes de Belford Roxo, Acadêmicos de Santa Cruz e Acadêmicos do Sossego). Enquanto isso, não sei se no mesmo terreno ou em algum outro próximo, já é possível visualizar ao menos uma alegoria da Vermelho e Branco de Copacabana na Avenida Brasil, exposto ao tempo e a depredações de mal intencionados. Abaixo, a foto do terreno
O terreno que possivelmente será cedido à construção da Cidade do Samba 2, destinada às agremiações da Série A do Carnaval Carioca / Foto: Reprodução Google Maps

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